Rio Branco, 26 de julho de 2026.

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Internações por síndromes respiratórias graves chegam a quase 2 mil no Acre e atingem maior nível em três anos

Acre chegou a 1.999 internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave – Foto: cedida

O Boletim Epidemiológico nº 24 da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), divulgado nesta sexta-feira (24), informa que o Acre chegou a 1.999 internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) até a 28ª semana epidemiológica, o maior acumulado para o período nos últimos três anos e quase duas mil hospitalizações desde o início do ano.

O total supera os registros do mesmo período de 2024, quando foram contabilizados 1.732 casos, e de 2025, que somou 1.481 internações. Apesar de o boletim apontar que o crescimento dos casos começou a desacelerar nas últimas três semanas, o cenário permanece mais grave do que o observado nos anos anteriores, refletindo a forte circulação de vírus respiratórios no estado.

Enquanto os casos que evoluem para hospitalização seguem em alta, a vigilância epidemiológica registra uma redução nos atendimentos por síndrome gripal nas unidades sentinelas. Entre as semanas epidemiológicas 1 e 28, foram realizadas 13.034 consultas, contra 16.506 no mesmo período de 2025 e 15.211 em 2024, o menor volume do triênio. O contraste reforça que, embora menos pessoas tenham procurado atendimento por quadros leves, os casos graves continuam em patamar elevado.

Segundo a análise da Sesacre, 2026 apresentou um comportamento atípico desde o início do ano, com número elevado de internações já nas primeiras semanas e pico na semana epidemiológica 22, quando foram registradas 103 hospitalizações. O boletim relaciona esse cenário principalmente ao aumento de casos de bronquiolite e pneumonia em crianças, além da circulação de vírus respiratórios capazes de provocar complicações em idosos e pessoas com doenças crônicas.

As crianças de até 9 anos e os idosos com 60 anos ou mais permanecem como os grupos mais vulneráveis. Entre as faixas etárias, o maior número de internações foi registrado em crianças de 2 a 4 anos, com 411 casos, seguidas pelas de 5 a 9 anos, com 370 hospitalizações. Entre os idosos, o total chegou a 377 internações, confirmando que os extremos da vida continuam concentrando a maior carga da doença.

As análises laboratoriais apontam que o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) continua sendo o principal agente associado às internações, especialmente entre crianças. O vírus contabilizou 343 detecções em pacientes com SRAG até a semana 28, mantendo uma trajetória de crescimento observada nos últimos anos. Também permanecem em circulação o rinovírus e a Influenza A, que, segundo a Sesacre, concentram a maior parte dos diagnósticos positivos entre os pacientes hospitalizados.

A distribuição dos casos evidencia ainda a concentração da demanda nas maiores regionais de saúde. Rio Branco responde sozinho por 856 internações, o equivalente a 42,8% de todos os casos registrados no estado. Considerando as regionais de saúde, o Baixo Acre e Purus reúne 1.169 casos (58,5%), seguido pelo Vale do Juruá, com 575 casos (28,8%), Tarauacá-Envira, com 229 (11,5%), e Alto Acre, com 66 internações (3,3%).

Embora a curva de crescimento apresente sinais de desaceleração nas semanas mais recentes, a Sesacre reforça que o estado ainda enfrenta um cenário de elevada pressão sobre a rede hospitalar e recomenda a manutenção das medidas de prevenção, especialmente a vacinação dos grupos prioritários, além da higiene das mãos e da etiqueta respiratória.

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