Rio Branco, 30 de julho de 2026.

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Mais de 11 mil moradores do Alto Acre vivem hoje em áreas de risco geológico, apontam novos mapas do SGB

Levantamento do SGB aponta que mais de 11,6 mil pessoas vivem em áreas de alto risco em Brasiléia e Xapuri – Foto cedida

Mais de 11,6 mil pessoas vivem atualmente em áreas classificadas como de alto ou muito alto risco geológico em Brasiléia e Xapuri, segundo os novos levantamentos divulgados pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB). A atualização da cartografia de risco dos dois municípios mostra que o número de moradores expostos a processos como inundações, erosão fluvial, alagamentos e movimentação de solo cresceu de forma significativa em relação aos mapeamentos anteriores, reforçando os desafios enfrentados pelo Alto Acre diante da ocupação de áreas vulneráveis e da ocorrência de eventos climáticos extremos.

Somados, os dois municípios passaram de aproximadamente 6,5 mil pessoas em áreas de risco para cerca de 11,7 mil. O número de imóveis nessas condições também aumentou, saltando de 1.810 para 2.924 edificações. Os estudos foram realizados em maio deste ano e atualizam os diagnósticos produzidos anteriormente para subsidiar ações da Defesa Civil e o planejamento urbano das prefeituras.

Brasiléia concentra a maior parte da população exposta. O novo levantamento identificou 2.301 imóveis e cerca de 9.204 pessoas vivendo em cinco áreas classificadas como de alto risco geológico. No mapeamento anterior, realizado em 2019, eram 1.611 imóveis e aproximadamente 6.444 pessoas. Embora o número de setores tenha sido reduzido em função da atualização metodológica adotada pelo SGB, o estudo aponta que houve crescimento expressivo da ocupação em áreas suscetíveis a inundações e erosão das margens dos rios.

Em Xapuri, a mudança foi ainda mais significativa sob o ponto de vista territorial. O número de edificações em áreas de risco passou de 199 para 623, enquanto a população estimada aumentou de 796 para 2.492 pessoas. Segundo o relatório, parte desse crescimento ocorreu porque a atualização passou a incluir a região central e histórica da cidade, afetada pelas grandes enchentes registradas em 2023 e 2024, que alteraram a percepção técnica sobre a vulnerabilidade daquele espaço urbano.

Apesar do aumento da população exposta, os dois relatórios não indicam necessariamente agravamento das condições geológicas em todos os locais. Em Brasiléia, por exemplo, setores anteriormente classificados como de risco muito alto foram reavaliados e enquadrados como risco alto após mudanças metodológicas que passaram a considerar diferentes tipos de ameaça em uma mesma área. Já em Xapuri, houve redução no número de setores classificados como muito alto risco, mas ampliação das áreas enquadradas como risco alto em razão da incorporação de novas áreas sujeitas às inundações.

Os levantamentos também registram situações na zona rural. Em Brasiléia foi identificado um pequeno setor com duas moradias sujeito ao rastejo do solo, enquanto em Xapuri os técnicos observaram um deslizamento de grande porte, associado ao mesmo processo geológico, que mobilizou mais de um hectare de terreno, sem atingir edificações.

De acordo com o Serviço Geológico do Brasil, a cartografia de risco não tem como finalidade prever quando ocorrerá um desastre, mas identificar os locais onde existe maior probabilidade de perdas humanas e materiais. Os mapas são utilizados para orientar ações de ordenamento territorial, definição de áreas prioritárias para obras de contenção, fiscalização da ocupação urbana, elaboração de planos de contingência e atuação da Defesa Civil.

A atualização dos mapas evidencia ainda que os eventos extremos registrados nos últimos anos, aliados ao avanço da ocupação em áreas vulneráveis, vêm alterando o perfil do risco geológico no Alto Acre. Para o SGB, os levantamentos precisam ser periodicamente revisados, uma vez que as condições urbanas e ambientais se modificam continuamente e podem ampliar ou reduzir a exposição da população aos desastres naturais.

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