
Quase um ano após a morte da jovem Rayza Emanuelle Oliveira Souza, de 26 anos, encontrada sem vida em um quarto de motel no Segundo Distrito de Rio Branco, o caso deu um importante passo na esfera judicial. O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) ofereceu denúncia contra Werner Lima Andrade, apontado como responsável por contribuir para a morte da vítima ao deixar de prestar socorro diante da gravidade da situação. A ação penal já foi recebida pela Justiça, e a audiência de instrução foi marcada para setembro deste ano.
Conforme a denúncia apresentada pela 12ª Promotoria de Justiça Criminal, o acusado e a vítima estiveram juntos no Motel Joia, localizado na Via Chico Mendes, na noite de 18 de setembro de 2025. Segundo o Ministério Público, Rayza passou mal enquanto estava no quarto e apresentava um quadro de edema agudo pulmonar. Apesar disso, o denunciado não teria acionado atendimento médico nem solicitado ajuda aos funcionários do estabelecimento.
Ainda de acordo com o MP, após perceber o estado de saúde da jovem, Werner Lima Andrade deixou o motel sem prestar qualquer assistência. A denúncia afirma que ele pagou a conta e foi embora, abandonando Rayza dentro do quarto. O documento também aponta que, antes de sair, ele trancou a porta do apartamento e levou a chave consigo, conduta que, segundo o órgão ministerial, dificultou a possibilidade de um socorro rápido e aumentou o risco para a vítima.
As investigações apontam que Rayza realizava programas nas proximidades do motel e havia sido contratada pelo denunciado naquela noite. Conforme descrito na denúncia, ela foi encontrada posteriormente com uma toalha ao redor do pescoço e um travesseiro sobre a cabeça. O Ministério Público sustenta que, embora o acusado não tenha provocado diretamente o quadro clínico que levou ao óbito, ele assumiu o dever de agir ao levar a vítima ao local e, ao se omitir diante da emergência, contribuiu para o resultado fatal.
Com base nas provas reunidas durante o inquérito policial, incluindo o laudo de exame cadavérico e demais elementos da investigação, o MP denunciou Werner Lima Andrade pelo crime de homicídio, fundamentando a acusação na omissão de quem tinha o dever legal de agir para evitar o resultado. Além da responsabilização criminal, o órgão requereu à Justiça que, em caso de condenação, seja fixada uma indenização mínima equivalente a dez salários mínimos em favor da família da vítima.
Relembre o caso

Rayza Emanuelle Oliveira Souza foi encontrada morta na noite de 18 de setembro de 2025 em um quarto de motel localizado na Via Chico Mendes, no Segundo Distrito de Rio Branco. O caso causou grande repercussão no estado e, nos meses seguintes, familiares passaram a cobrar maior celeridade na investigação, questionando a demora na conclusão do laudo cadavérico e defendendo que todas as circunstâncias da morte fossem devidamente esclarecidas.
Agora, com o oferecimento da denúncia pelo Ministério Público, o processo entra em uma nova fase. A audiência de instrução e julgamento está marcada para o dia 14 de setembro de 2026, às 10 horas, na 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Rio Branco. Durante a audiência deverão ser ouvidas testemunhas de acusação e defesa, além do interrogatório do denunciado, etapa fundamental para o prosseguimento da ação penal.
Até a conclusão do processo, Werner Lima Andrade responde às acusações com direito ao contraditório e à ampla defesa, conforme garantem a Constituição Federal e a legislação brasileira.








