
A retração de 22,5% nas saídas de gado vivo do Acre para outros estados em junho, na comparação com maio, é resultado de um ajuste conjuntural do mercado pecuário e não indica uma mudança na tendência positiva observada ao longo do primeiro semestre. A avaliação é do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Acre (FAEAC), Assuero Veronez.
O dado chamou atenção no último Boletim da Pecuária divulgado pela entidade, já que ocorreu em meio a um cenário favorável para a atividade em praticamente todos os indicadores acompanhados. Apesar da queda registrada em junho, o volume acumulado de animais enviados para outras praças continua superior ao verificado no mesmo período de 2025.
Segundo Veronez, o principal fator para a retração foi a redução do preço da arroba do boi gordo, que diminuiu a margem dos pecuaristas responsáveis pela recria e pela engorda dos animais.
“Eu acredito que é um comportamento de mercado. O que aconteceu no último mês foi uma queda do valor da arroba do boi gordo, remunerando menos o pecuarista. Normalmente, parte desses recursos oriundos da venda de boi gordo são investidos em reposição de bezerros, onde o Acre é um grande fornecedor. Caindo o preço da arroba do boi gordo, a reposição ficou mais cara porque o impacto no preço do bezerro não é tão rápido como o da arroba do boi gordo”, explicou.
Na prática, produtores que normalmente comprariam bezerros para recompor seus rebanhos passaram a adiar essas aquisições, reduzindo temporariamente a demanda pelos animais comercializados pelo Acre.
Estiagem também influencia decisões

Além do cenário de preços, a entrada do período seco contribuiu para tornar o mercado mais cauteloso. Com a diminuição da oferta de pastagens durante a estiagem, manter um número maior de animais exige investimentos em suplementação alimentar, elevando os custos de produção.
Segundo o presidente da FAEAC, diante desse cenário muitos pecuaristas optam por trabalhar com uma lotação menor das propriedades e aguardam o retorno das chuvas para retomar as compras.
“Nesse cenário, os compradores de bezerro passam a ter mais cautela com relação à reposição porque nós estamos entrando nesse período que normalmente falta pasto e o custo de alimentar dos animais no coxo, com ração e tudo mais, fica muito caro. Isso somado ao valor mais baixo da arroba faz com que eles prefiram manter uma lotação menor e fazer só a reposição com a volta das chuvas, que deve ocorrer lá para outubro”, avaliou.
Movimento é considerado sazonal
Na avaliação da federação, a retração observada em junho representa um comportamento típico do mercado pecuário nesta época do ano e deve ser analisada dentro do contexto do ciclo produtivo. Assim, para a FAEAC, o desempenho de junho reflete muito mais uma combinação entre fatores econômicos e sazonais do que uma perda de competitividade da pecuária acreana ou um enfraquecimento do mercado.








