Rio Branco, 13 de agosto de 2026.

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Cofre de Plácido de Castro é aberto após 20 anos e revela documentos históricos da Revolução Acreana

Titular da Sead falou sobre o valor histórico dos documentos – Foto reprodução

Após permanecer lacrado por cerca de 20 anos, o cofre de Plácido de Castro, mantido no Museu da Força Expedicionária Brasileira, em São Gabriel, no Rio Grande do Sul, foi aberto e revelou um importante conjunto de documentos relacionados à Revolução Acreana e ao processo histórico de incorporação do Acre ao Brasil.

A abertura ocorreu a partir de uma demanda da Secretaria de Estado de Administração do Acre (Sead), responsável pelo Arquivo Público do Estado, e foi conduzida pela chefe do Arquivo Público, Cleilda Dias. O trabalho técnico ficou a cargo da gestão de museus da Universidade da Região da Campanha (Urcamp), com apoio da reitoria da instituição e articulação com a Prefeitura de São Gabriel.

Foram necessárias aproximadamente sete horas de trabalho técnico para a abertura do cofre, procedimento realizado com cuidados voltados à preservação do material que permaneceu guardado durante duas décadas.

Entre os documentos encontrados estão registros produzidos durante o período da Revolução Acreana, correspondências relacionadas a Plácido de Castro, documentos envolvendo autoridades bolivianas e materiais referentes a episódios importantes da história acreana.

Um dos itens que chama atenção é um manuscrito do Hino Acreano, datado de 1903 e escrito pelo médico e poeta Francisco Cavalcanti Mangabeira, no Seringal Capatará, durante o período em que se consolidava a incorporação do território acreano ao Brasil.

Chefe do Arquivo Público detalha documentos encontrados

A chefe do Arquivo Público do Estado, Cleilda Dias, destacou a importância histórica do material localizado e explicou que parte dos registros foi produzida no próprio período dos acontecimentos que marcaram a formação territorial do Acre.

“Entre os documentos encontrados estão também documentos ligados a Plácido de Castro e à Revolução Acreana. São registros que foram produzidos no próprio período em que o Acre se consolidava um território do Brasil”, afirmou.

Segundo Cleilda, o acervo contém ainda correspondências enviadas pelo coronel boliviano Rosendo Rojas a Plácido de Castro, permitindo acesso a registros relacionados diretamente aos personagens envolvidos no conflito.

“Também foram encontradas cartas trocadas por Plácido de Castro e pelo coronel boliviano Rosendo Rojas. Ele mandou várias cartas para Plácido de Castro e essas cartas estão nesse acervo documental também”, relatou.

Outro documento considerado relevante é a ata de rendição das forças bolivianas, além de cópias do inquérito referente à emboscada que resultou na morte de Plácido de Castro.

“Tem também a ata de rendição das forças bolivianas e tem cópias do inquérito sobre a emboscada que resultou na morte de Plácido de Castro”, acrescentou Cleilda.

Material poderá ampliar pesquisas sobre a história do Acre

O historiador do Arquivo Público Alexandre Damasceno avaliou que a abertura do cofre representa uma oportunidade para pesquisadores aprofundarem os estudos sobre Plácido de Castro, a Revolução Acreana e outros acontecimentos daquele período.

“A abertura desse cofre é muito importante para a história do Acre e para a história do Brasil, porque são documentos ligados ao Plácido de Castro e à própria revolução. E, a partir desses documentos, nós podemos entender novas informações do que aconteceu naquele período”, afirmou.

Para Damasceno, a disponibilização desse material também representa uma aproximação de parte da memória documental acreana com pesquisadores do próprio estado.

“É um cofre que estava vinte anos fechado e a abertura desse cofre representa para a gente uma forma de também trazer a história do Acre, uma parte da história do Acre que saiu daqui, para perto dos acreanos novamente, que vai poder ser estudada pelos pesquisadores daqui da Universidade Federal do Acre, por outros historiadores”, destacou.

“E não são só documentos antigos, é uma parte da nossa história que está voltando para a gente”, completou.

Originais permanecerão no Rio Grande do Sul

Apesar da abertura e identificação do material, os documentos originais permanecerão sob a guarda da instituição em São Gabriel, no Rio Grande do Sul. O Acre, entretanto, poderá reproduzir o acervo e incorporar as cópias ao Arquivo Público do Estado, ampliando o acesso para pesquisadores, historiadores, estudantes e demais interessados.

A descoberta ocorre poucos dias depois das celebrações pelos 124 anos do início da Revolução Acreana, lembrados em 6 de agosto. O movimento, iniciado em 1902, teve Plácido de Castro como uma de suas principais lideranças e foi decisivo no processo que culminou com a incorporação definitiva do Acre ao território brasileiro.

Depois de aproximadamente duas décadas guardados no interior do cofre, os documentos voltam a ficar disponíveis para catalogação e estudo, oferecendo novas fontes para a preservação e a compreensão de um dos períodos mais importantes da história acreana.

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