
Passada a ressaca de cansaço da Expoacre, acho que já dá para falar um pouco sobre o que foi essa feira.
E começo dizendo: foi a Expoacre de gente!
Eu vivo a Expoacre há muitos anos e, confesso, achei que já sabia o que esperar. Depois de tantos anos acompanhando a feira, a gente cria uma espécie de régua. E, este ano, eu errei feio.
Quando participei da Expoacre Juruá, percebi uma feira muito mais tímida que a edição anterior. Por isso, imaginei que o padrão se repetiria em Rio Branco. Mas, contra todas as expectativas, não foi isso que aconteceu.
A Expoacre caiu no gosto da galera.
Foi um mar de gente todas as noites. Gente circulando, gente se divertindo, gente consumindo. E, no fim das contas, quem ganhou com isso foi o empreendedor, que conseguiu não apenas ter uma vitrine para apresentar seus produtos, mas, principalmente, vender bem.
E talvez esse seja um dos maiores méritos de uma feira como a Expoacre: quando ela consegue levar público para dentro do parque, o movimento se transforma em oportunidade para quem está ali trabalhando.
Mas não foi só a quantidade de gente que me chamou atenção.

Essa Expoacre também teve uma outra característica que, para mim, merece ser registrada: o discurso equilibrado de quem passou pelo microfone do Portal Acre.
Depois das convenções partidárias, estamos em campanha. E os majoritários que disputam o Governo do Acre parecem ter adotado o tom do equilíbrio em suas falas.
Os discursos estão mais elegantes. Ao menos nas entrevistas que fizemos, a estratégia parece ser não atacar, apontar erros somente de forma sucinta e focar em falar de projetos para o futuro e de feitos do presente.
Confesso que, para alguns, esse “ar” de equilíbrio até parece um figurino novo. Não parece exatamente natural.
Mas, natural ou estrategicamente construído, é até bonito ver uma maturidade maior no discurso dos políticos.
Talvez seja efeito da campanha. Talvez seja estratégia. Talvez sejam os dois.
E acho que existe algo positivo nisso. O eleitor está cansado de briga pela briga. Quer saber o que cada um pretende fazer, o que já fez, o que pode melhorar e, principalmente, o que tem para oferecer daqui para frente.

Claro que estamos apenas no começo. A campanha ainda vai mostrar muita coisa e, certamente, os discursos vão ficando mais duros à medida que a disputa avançar.
Por enquanto, fica o registro: a Expoacre foi uma feira de gente e, pelo menos no microfone do Portal Acre, também foi uma feira de políticos mais equilibrados.
Se essa estratégia vai permanecer e se vai funcionar, isso aí veremos quando a “pepeta” da campanha pegar vento e a disputa pelo voto do eleitor ficar bem mais acirrada.