
O vereador André Kamai fez uma grave denúncia contra a Fundação Hospitalar do Acre (Fundhacre) durante pronunciamento na Câmara Municipal de Rio Branco.
A denúncia surgiu enquanto Kamai abordava a situação de mulheres que enfrentam longos períodos de espera por procedimentos na rede pública. Ao direcionar as críticas à Fundhacre, o vereador utilizou a expressão “fila da morte” para definir a realidade que afirma encontrar entre pacientes que aguardam cirurgias.
“É lamentável o que virou a Fundação Hospitalar. Hoje, para que uma mulher que sangra há cinco, quatro ou três anos com mioma ou com outros problemas consiga uma vaga de cirurgia, ela precisa ter a relação com alguém da política. Para que alguém da política consiga furar a fila da fundação para que ela faça uma cirurgia”, acusou.”
Durante o discurso, Kamai apresentou como exemplo o caso de uma moradora do bairro Vitória, em Rio Branco. Conforme o relato do parlamentar, a mulher o procurou em frente à própria residência e entregou uma sacola contendo exames médicos.
A paciente teria contado que recebeu o diagnóstico de um problema de saúde aproximadamente cinco anos antes. Após esperar cerca de um ano para conseguir realizar os exames solicitados, segundo Kamai, ela permaneceu outros três anos aguardando ser convocada para a cirurgia.
Quando finalmente teria sido chamada, os exames já estavam fora do prazo de validade e, conforme o relato apresentado na Câmara, a paciente precisou retornar ao início do processo.
“Ela olhou para mim e disse: ‘Você é a última pessoa a quem eu vou pedir isso’”, contou Kamai. Em seguida, segundo o vereador, a mulher fez um apelo: “Meu filho, me ajude porque eu já até me despedi dos meus filhos”.
Kamai afirmou que o episódio não seria isolado e questionou quantas outras mulheres enfrentam situação semelhante enquanto aguardam atendimento na Fundação Hospitalar.
“O que eu mais encontro são mulheres na ‘fila da morte’ da Fundação Hospitalar”, disse.
Diante das acusações, o parlamentar cobrou uma intervenção da governadora Mailza Assis e mudanças na unidade. Kamai defendeu o fim de qualquer eventual mecanismo de favorecimento e afirmou que o governo não deveria aguardar o término do processo eleitoral para agir.
“Ela já está com a caneta na mão e pode resolver”, declarou.







