O Acre iniciou a temporada de queimadas de 2026 com um cenário mais favorável do que o registrado no ano passado. Levantamento do Projeto Acre Queimadas, da Universidade Federal do Acre (Ufac), identificou 2.850 hectares de áreas queimadas até 31 de julho, uma redução de aproximadamente 55% em relação ao mesmo período de 2025.
O resultado representa um contraste importante em relação aos últimos anos. O próprio histórico do projeto aponta 2024 entre os anos mais severos da série iniciada em 2005, ao lado de 2005, 2020, 2021 e 2022, evidenciando que o estado ainda convive com elevado potencial para grandes temporadas de fogo.
Segundo os pesquisadores, o resultado está diretamente relacionado às condições meteorológicas observadas no início da estiagem. Diferentemente de anos anteriores, o mês de julho apresentou volumes de chuva acima do esperado para o período, retardando o avanço das queimadas e reduzindo a extensão das áreas atingidas.
Apesar do cenário positivo até o momento, o relatório ressalta que o período historicamente mais crítico da estação seca ainda está por começar. As projeções climáticas utilizadas pelo estudo, baseadas em análises do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), do IRI Climate Forecast e do Censipam, convergem para um mesmo cenário: influência de um El Niño de forte a muito forte, com previsão de temperaturas acima da média e precipitações abaixo do normal entre agosto e outubro, condições que aumentam o risco de expansão das queimadas.
O levantamento também mostra que Rio Branco, Sena Madureira, Feijó, Tarauacá e Cruzeiro do Sul concentram as maiores áreas queimadas registradas até o fim de julho, respondendo por cerca de 58% do total contabilizado pelo projeto. Além da liderança desses municípios, os pesquisadores chamam atenção para a elevada concentração de queimadas no Vale do Juruá, especialmente entre Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves e Porto Walter, além da região de fronteira com o município amazonense de Guajará.
Qualidade do ar
Outro ponto destacado pelo relatório do Acre Queimadas é a qualidade do ar. Embora a média registrada no estado permaneça dentro de níveis considerados satisfatórios, já foram observados episódios pontuais de piora, especialmente em Rio Branco e Assis Brasil. Atualmente, a rede estadual conta com apenas 12 sensores em funcionamento para monitoramento da concentração de material particulado, indicador diretamente associado aos impactos da fumaça sobre a saúde.
O Projeto Acre Queimadas ressalta que o comportamento observado até julho não permite descartar um agravamento do cenário nos próximos meses. Historicamente, agosto e setembro concentram os maiores registros de queimadas no estado, o que torna essencial o acompanhamento das condições climáticas e a adoção de medidas de prevenção durante o restante da estação seca.









