
O Acre ainda está em uma faixa de atenção para a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), mas os dados mais recentes mostram que o cenário respiratório no estado está avançando para uma situação mais favorável. Na atualização do Boletim InfoGripe, referente à Semana Epidemiológica 32, o estado continua entre as unidades da Federação com incidência em nível de alerta, risco ou alto risco, enquanto Rio Branco deixou de aparecer entre as capitais nessa condição.
Divulgado pela Fiocruz, o boletim reúne dados registrados até 15 de agosto e mostra que, das 27 unidades da Federação, 11 ainda apresentam incidência elevada de SRAG nas duas semanas mais recentes. O Acre está nesse grupo, ao lado de Amazonas, Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Roraima e Sergipe. Apenas Bahia e Sergipe apresentam, neste momento, sinal de crescimento dos casos na tendência de longo prazo.
Isso significa que a doença ainda está circulando em um patamar que merece atenção no estado, mas não há indicação de que esteja avançando. A Fiocruz considera as últimas seis semanas para avaliar a tendência dos casos. No cenário nacional, quase todas as unidades da Federação já apresentam queda ou estabilização.
Rio Branco avança na melhora
Na Semana Epidemiológica 29, divulgada no fim de julho, Rio Branco estava entre as duas únicas capitais brasileiras com incidência elevada de SRAG e tendência de crescimento, junto com São Luís. Naquele momento, a Fiocruz apontava que o aumento na capital acreana estava concentrado principalmente entre crianças de 5 a 14 anos.
Nas semanas seguintes, Rio Branco deixou a tendência de crescimento e passou a apresentar apenas incidência elevada. Agora, na Semana 32, a capital acreana também deixou de integrar o grupo de cidades com nível de atividade em alerta, risco ou alto risco.
Atualmente, quatro capitais apresentam simultaneamente incidência elevada e tendência de crescimento: Aracaju, Cuiabá, Salvador e Porto Alegre. Outras três — Belo Horizonte, Florianópolis e São Luís — ainda estão em nível elevado, mas sem sinal de crescimento.
Para quem acompanha a situação respiratória no estado, a mudança é relevante porque mostra que a melhora observada nas últimas semanas não ficou restrita a uma única atualização do boletim.
Vírus perdem força
A atualização também mostra que os principais vírus responsáveis pelos casos graves estão em processo de desaceleração. O vírus sincicial respiratório (VSR), que continua sendo o principal agente entre os casos positivos de SRAG, apresenta sinal de queda no país. Apesar disso, a Fiocruz ainda registra níveis elevados de SRAG por VSR em oito estados: Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Roraima, São Paulo, Santa Catarina, Sergipe e Rio Grande do Sul.
A Influenza A também perdeu espaço. A Fiocruz considera encerrado o período de sazonalidade do vírus no país, e os casos graves continuam elevados apenas em Roraima. O Acre, que havia aparecido em boletins anteriores entre os estados com casos graves de Influenza A em nível elevado, não está mais nessa relação. A Covid-19, por sua vez, apresenta atualmente baixa incidência de casos graves em todas as unidades da Federação.
O que isso significa para a população
Os dados não indicam que os vírus respiratórios deixaram de circular no Acre. O que o boletim mostra é uma redução da pressão exercida pelos casos graves, especialmente quando se observa a evolução das últimas semanas.
No país, o VSR continua liderando entre os resultados positivos de SRAG. Nas quatro semanas mais recentes analisadas pela Fiocruz, ele respondeu por 44,6% dos casos positivos, seguido pelo rinovírus, com 32,5%. Influenza B apareceu com 9,7%, Influenza A com 5,1% e SARS-CoV-2 com 1,8%.
As crianças pequenas e idosos continuam sendo os grupos mais vulneráveis às formas graves. Nas últimas oito semanas, a maior incidência de SRAG ocorreu entre crianças de até dois anos, enquanto a mortalidade foi mais elevada entre pessoas com 65 anos ou mais.
A Fiocruz ressalta que os dados das semanas mais recentes podem sofrer alterações à medida que novas notificações são inseridas no sistema e recomenda que o cenário seja analisado junto a outros indicadores, como a ocupação de leitos das regiões de saúde.








