
O Acre destinou cerca de R$ 1 bilhão a despesas relacionadas à agenda climática entre 2023 e 2026, segundo levantamento da InfoAmazonia publicado nesta quinta-feira (1º). O valor corresponde a 2,6% do orçamento total empenhado pelo Estado no período, estimado em R$ 38 bilhões, e representa a maior proporção entre os cinco estados da Amazônia Legal analisados pela reportagem.
O levantamento faz parte da série “Eleições em Mapas”, que cruza informações orçamentárias e eleitorais para analisar a relação entre políticas públicas e a agenda ambiental na região. Além do Acre, foram analisados Amapá, Amazonas, Mato Grosso e Pará. Juntos, os cinco estados empenharam R$ 6,4 bilhões em despesas classificadas como relacionadas ao clima, diante de R$ 475 bilhões em gastos não relacionados ao tema.
A metodologia adotada pela InfoAmazonia considera não apenas a função orçamentária de Gestão Ambiental, mas também nove subfunções relacionadas à adaptação às mudanças climáticas e ao uso da terra. Entre elas estão Defesa Civil, saneamento básico rural e urbano, ordenamento territorial, conservação de energia, reforma agrária, extensão rural, serviços urbanos e assistência aos povos indígenas.
Defesa Civil concentra maior parcela
No caso do Acre, a Defesa Civil foi responsável pela maior parcela dos recursos classificados dentro da agenda climática. Segundo a análise, foram quase R$ 440 milhões destinados à área ao longo do período, dos quais R$ 84 milhões foram empenhados em 2026. Esse montante representa cerca de 42% de toda a verba relacionada ao clima contabilizada no estado neste ano, conforme o recorte da reportagem.
A concentração de recursos nessa área está relacionada ao papel da Defesa Civil na prevenção e resposta a desastres e eventos extremos, como enchentes, secas e outros episódios associados à vulnerabilidade climática.
Os dados de 2023 a 2025 foram obtidos por meio do Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (Siconfi). Para 2026, a InfoAmazonia utilizou os Relatórios Resumidos da Execução Orçamentária (RREOs), considerando os valores empenhados até o terceiro bimestre. Portanto, os números deste ano são parciais e abrangem os empenhos realizados até junho.
Agenda climática nos planos de governo
O levantamento também analisou os planos de governo dos candidatos que disputam a permanência no comando dos cinco estados. No Acre, o plano de Mailza Assis inclui propostas relacionadas ao fortalecimento da Defesa Civil e à prevenção de enchentes, secas e queimadas. O documento também prevê ações relacionadas ao mercado de carbono, serviços ambientais e transição para fontes de energia renovável.
A reportagem da InfoAmazonia observa, entretanto, que a presença da agenda ambiental nos planos de governo não significa que o tema tenha o mesmo espaço durante as campanhas eleitorais. O levantamento cita monitoramento da FALA segundo o qual estratégias de prevenção aos impactos do El Niño foram mencionadas por 14 das 1.182 candidaturas monitoradas na Amazônia Legal, equivalente a 1,2%.
Para o Acre, o dado tem a importância de estar inserido em um cenário marcado por enchentes, estiagens, queimadas e episódios de fumaça, problemas que exigem ações de prevenção, resposta e adaptação.
A análise da InfoAmazonia foi produzida a partir de dados do Siconfi, Tesouro Nacional, Base dos Dados e RREOs estaduais, enquanto as informações sobre candidaturas e planos de governo foram obtidas no Repositório de Dados Eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).






