Rio Branco, 5 de outubro de 2026.

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Acre será o único estado do país sem mulheres na Assembleia Legislativa a partir de 2027

Hoje, três das 24 cadeiras são ocupadas por mulheres- Foto cedida

O Acre chegará à próxima legislatura da Assembleia Legislativa (Aleac) com uma particularidade que o diferencia de todos os demais estados brasileiros: nenhuma mulher estará entre os 24 parlamentares que tomarão posse em 2027. O resultado das eleições deste domingo (4) deixou o estado como o único do país sem representação feminina no Legislativo estadual.

A ausência ocorre tanto pela não eleição de novas candidatas quanto pela derrota nas urnas das três mulheres que atualmente integram a Aleac. Antonia Sales (MDB), Maria Antônia (PP) e Michelle Melo (União Brasil) disputaram a reeleição, mas nenhuma conseguiu permanecer entre os 24 nomes eleitos para o próximo mandato.

Com isso, a presença feminina na Assembleia acreana cairá dos atuais 12,5% para zero. Hoje, três das 24 cadeiras são ocupadas por mulheres. A partir de 1º de fevereiro de 2027, quando começa a nova legislatura, todas serão ocupadas por homens.

O cenário acreano contrasta com o resultado registrado no restante do Brasil. Levantamento que considera as 26 Assembleias Legislativas estaduais e a Câmara Legislativa do Distrito Federal aponta que, nas demais unidades da Federação, pelo menos duas mulheres conseguiram se eleger.

Ao todo, 218 mulheres foram eleitas para os Legislativos estaduais e distrital em 2026, diante de 841 homens. São 1.059 cadeiras, das quais aproximadamente 20,6% serão ocupadas por mulheres. Na prática, cerca de um em cada cinco parlamentares estaduais ou distritais eleitos no país será mulher. No Acre, a proporção será de zero em 24.

Mesmo os estados que aparecem nas últimas posições do levantamento nacional terão alguma presença feminina. Amazonas, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, por exemplo, elegeram duas mulheres cada para Assembleias com 24 integrantes, equivalente a 8,3% das cadeiras. Rondônia e Tocantins elegeram três mulheres cada. O Acre ficou isolado no levantamento nacional ao não eleger nenhuma.

Na outra ponta está o Ceará, que terá 14 mulheres entre seus 46 deputados estaduais, alcançando 30,4% de representação feminina — a maior proporção do país. São Paulo terá o maior número absoluto: 28 mulheres entre os 94 parlamentares eleitos, correspondentes a 29,8% da Assembleia paulista.

De três para nenhuma

A atual bancada feminina acreana é formada por Antonia Sales, Maria Antônia e Michelle Melo. As três chegaram às eleições de 2026 tentando renovar seus mandatos, mas ficaram fora da relação final de eleitos.

Maria Antônia havia conquistado seu mandato nas eleições de 2022 com 10.485 votos. Michelle Melo recebeu naquele pleito 5.990 votos, enquanto Antonia Sales obteve 5.720. Os resultados oficiais das eleições de 2022 confirmam a eleição das três parlamentares.

Quatro anos depois, nenhuma delas conseguiu renovar o mandato e nenhuma outra candidata conseguiu ocupar o espaço deixado por elas. Dessa forma, a mudança não representa apenas uma redução da bancada feminina, mas sua completa retirada da composição parlamentar eleita para o período de 2027 a 2030.

A nova Aleac terá uma renovação geral de oito das 24 cadeiras. Dezesseis parlamentares conseguiram a reeleição, enquanto oito nomes que não integram a atual composição eleita em 2022 entrarão ou retornarão à Casa. Nenhuma dessas oito vagas ficou com uma mulher.

O Progressistas (PP) terá a maior bancada da próxima legislatura, com cinco deputados. União Brasil e PL conquistaram quatro vagas cada; Republicanos terá três; MDB e PSD, duas cadeiras cada; enquanto PDT, Novo, PCdoB e PSDB terão um representante cada.

Entre os eleitos, Nicolau Júnior (PP) foi o candidato a deputado estadual mais votado do Acre, com 18.149 votos. Fagner Calegario (União Brasil) aparece em seguida, com 13.640, e Clodoaldo Rodrigues (PP), com 13.575 votos.

Mulheres seguem minoria no país

Embora o caso acreano seja o mais extremo, os números nacionais também mostram que a presença feminina permanece distante da igualdade nos Legislativos estaduais. Mesmo com 218 mulheres eleitas, elas ocuparão pouco mais de um quinto das cadeiras disponíveis no país.

Nenhuma das Assembleias Legislativas brasileiras, nem mesmo a Câmara Legislativa do Distrito Federal, alcançou maioria feminina nas eleições de 2026.

No Acre, entretanto, o resultado produz uma situação ainda mais significativa: não haverá uma única voz feminina com mandato entre os 24 integrantes da Assembleia Legislativa durante a próxima legislatura. A partir de 2027, enquanto todos os demais estados brasileiros terão mulheres ocupando cadeiras em seus respectivos Legislativos estaduais, a Aleac terá uma composição exclusivamente masculina.

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