
A presença do café entre os dez principais produtos exportados pelo Acre em setembro ocorre em um momento de expansão da cafeicultura no estado. Embora as vendas externas ainda tenham participação pequena na pauta comercial, estimativas de produção e iniciativas recentes de incentivo ao cultivo indicam que a atividade vem ganhando espaço na agricultura acreana.
De acordo com o boletim de comércio exterior da Secretaria de Estado de Planejamento (Seplan), o café movimentou US$ 70 mil em exportações no mês, o equivalente a 0,5% dos US$ 13,04 milhões exportados pelo Acre. O resultado colocou o produto entre os dez itens com maior valor de vendas externas no período.
O registro ganha contexto diante da estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada neste mês de outubro, de que a produção de café no Acre deve alcançar 8.125 toneladas em 2026, aumento de 22,5% em relação às 6.632 toneladas estimadas para 2025. A área destinada à cultura também cresceu, passando de 1.931 hectares para 2.033 hectares, avanço de 5,3%.
Os dados apontam para o fortalecimento da produção, mas não significam que o crescimento das lavouras tenha se convertido, na mesma proporção, em exportações. O boletim da Seplan apresenta o valor vendido ao mercado externo em setembro, sem detalhar a evolução mensal ou anual das exportações de café.
Os próximos levantamentos de comércio exterior poderão mostrar se o resultado de setembro foi pontual ou se as exportações de café passarão a ocupar espaço mais regular na pauta acreana.
O desenvolvimento da cafeicultura também esteve em pauta na quarta edição do Concurso de Qualidade do Café do Estado do Acre, o QualiCafé, realizada em 14 de outubro. Durante o evento, representantes do setor destacaram ações de assistência técnica voltadas ao manejo, à colheita e ao beneficiamento dos grãos, etapas importantes para elevar a qualidade e ampliar as possibilidades de comercialização.
Enquanto o café começa a aparecer entre os produtos exportados, a pauta comercial do Acre continua concentrada principalmente na carne bovina, na castanha e na soja. Entre janeiro e setembro de 2026, as exportações estaduais somaram US$ 98,66 milhões, alta de 31,3% em relação ao mesmo período do ano passado.







