
O Acre passou a integrar, pela primeira vez, o roteiro do Confina Brasil, projeto de pesquisa desenvolvido pela Scot Consultoria que percorre propriedades rurais para analisar o desenvolvimento da pecuária de corte no país. Durante a passagem pelo estado, pesquisadores realizaram três visitas técnicas e identificaram mudanças no setor, impulsionadas pelo crescimento da produção agrícola, pela adoção de novas técnicas de engorda e pela ampliação da participação acreana no mercado nacional e internacional de carne bovina.
As informações foram divulgadas nesta quarta-feira, 7, após a conclusão da terceira rota da expedição, que também percorreu propriedades em Rondônia e Mato Grosso. Ao longo de três semanas, os especialistas avaliaram diferentes sistemas de produção, considerando aspectos como alimentação do rebanho, infraestrutura, condições climáticas e custos operacionais.
No Acre, um dos principais pontos observados foi a transformação gradual do perfil da atividade pecuária. Historicamente reconhecido pela criação e comercialização de bezerros destinados a outras regiões brasileiras, o estado começa a ampliar sua participação nas etapas de recria e engorda dos animais, permitindo que uma parcela maior do processo produtivo seja realizada dentro do próprio território.
Essa mudança está relacionada, entre outros fatores, à expansão da agricultura e à maior disponibilidade de grãos utilizados na alimentação bovina. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), apresentados no levantamento, o Acre registrou 72,1 mil hectares cultivados na safra 2025/2026, com produção de aproximadamente 211,7 mil toneladas de grãos. Desse total, 96,4% correspondem às culturas de soja e milho.
A produção agrícola tem contribuído para a integração entre lavoura e pecuária, oferecendo alternativas para a alimentação do rebanho e favorecendo a utilização de sistemas de terminação intensiva, tanto em confinamentos quanto em pastagens com suplementação nutricional.
Apesar dos avanços, os pesquisadores identificaram obstáculos relacionados às características geográficas do estado. O elevado volume de chuvas, a composição dos solos e as dificuldades de transporte de insumos ainda representam desafios para a ampliação das atividades.
Nas propriedades visitadas, a equipe observou que determinadas regiões apresentam condições mais favoráveis à mecanização agrícola, enquanto outras enfrentam limitações durante o período chuvoso. A necessidade de transportar ingredientes para a alimentação animal de outros estados também pode elevar os custos de produção.
Outro destaque do levantamento foi a participação do Acre no abastecimento de carne bovina para outros mercados. Conforme estudo da Scot Consultoria elaborado para o Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento do Acre, apenas 21,1% da carne produzida no estado é destinada ao consumo interno. Outros 74,5% seguem para diferentes unidades da federação, enquanto 4,4% são direcionados ao mercado internacional.
Os números das exportações também demonstram crescimento. Em 2024, as vendas externas de carne bovina acreana movimentaram US$ 20,6 milhões. Já em 2025, o valor alcançou US$ 27,6 milhões, com o embarque de 5.694 toneladas do produto. O resultado representa um avanço na inserção da produção estadual no comércio internacional.
A pesquisa também analisou estratégias utilizadas pelos pecuaristas para enfrentar os efeitos das chuvas. Nos estados do Acre e de Rondônia, dados parciais apontaram que 68,8% dos confinamentos avaliados realizam, em média, dois ciclos de engorda ou menos por ano, com duração aproximada de 100 dias cada.
Entre as medidas identificadas estão a redução da quantidade de animais por instalação durante os períodos mais chuvosos e a cobertura dos locais destinados à alimentação, práticas que buscam diminuir a formação de lama, preservar a infraestrutura e melhorar as condições de manejo.
Além dos aspectos econômicos, o levantamento registrou a preocupação declarada de produtores com o aumento da produtividade em áreas já utilizadas pela atividade agropecuária, sem a necessidade de abertura de novas áreas de vegetação nativa.
A passagem pelo Acre integra a edição de 2026 do Confina Brasil, iniciativa que reúne informações sobre sistemas intensivos e semi-intensivos de produção bovina em diferentes regiões brasileiras. Neste ano, o projeto prevê a participação de 14 estados, com visitas presenciais e coleta remota de dados.
Para os pesquisadores, os resultados observados na terceira rota mostram que o desenvolvimento da pecuária depende de estratégias adaptadas às condições de cada região. No caso acreano, a ampliação da produção de grãos, os investimentos em tecnologia e a melhoria da gestão das propriedades aparecem como fatores importantes para o crescimento do setor, embora os desafios logísticos e climáticos continuem exigindo atenção dos produtores.
Com informações da Scot Consultoria e do Sistema Brasileiro do Agronegócio (SBA1).








