Rio Branco, 10 de outubro de 2026.

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Da preferência presidencial às bancadas: direita amplia força política no Acre

Aleac e bancada acreana no Congresso Nacional têm, em sua maioria, perfil de direita – Foto cedida

O resultado das Eleições 2026 reforçou uma característica que vem se consolidando no comportamento eleitoral do Acre: a força de candidatos e partidos situados à direita do espectro político. O movimento, evidenciado pelas expressivas votações de Jair Bolsonaro em 2018 e 2022, voltou a aparecer neste ano e também se refletiu na composição das bancadas eleitas pelo estado.

No primeiro turno presidencial de 2026, Flávio Bolsonaro (PL) foi o candidato mais votado pelos acreanos, com 302.807 votos, equivalentes a 64,56% dos válidos. Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, recebeu 134.770 votos, ou 28,73%. Os dois disputarão o segundo turno no próximo dia 25.

A preferência não é recente. Em 2018, Jair Bolsonaro recebeu 77,22% dos votos válidos no Acre no segundo turno contra Fernando Haddad (PT), fazendo do estado aquele que, proporcionalmente, lhe deu a maior votação do país. Em 2022, Bolsonaro voltou a vencer entre os acreanos, com 70,30%, contra 29,70% de Lula.

Embora os percentuais sejam de eleições e turnos diferentes, os resultados demonstram a manutenção de um elevado apoio às candidaturas da família Bolsonaro no estado.

Reflexo no Senado e na Câmara

A tendência também apareceu na disputa pelo Senado. Márcio Bittar (PL) foi o mais votado, com 223.972 votos (25,59%), enquanto Mara Rocha (Republicanos) conquistou a segunda vaga, com 157.104 votos (17,95%). Os dois terão mandatos entre 2027 e 2035.

Na Câmara dos Deputados, seis das oito vagas acreanas ficaram com candidatos de PP, União Brasil, Republicanos e PL. Foram eleitos Socorro Neri (PP), Fábio Rueda (União Brasil), Coronel Ulysses (União Brasil), Pedro Longo (MDB), Roberto Duarte (Republicanos), Zé Adriano (PP), Perpétua Almeida (PCdoB) e Júnior Betão (PL).

Com isso, apenas duas das oito cadeiras ficaram fora desse grupo de quatro legendas: uma com o MDB e outra com o PCdoB.

Direita concentra maioria na Aleac

Na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), o cenário é semelhante. Das 24 cadeiras, cinco ficaram com o PP, quatro com o PL, quatro com o União Brasil e três com o Republicanos. Juntas, as quatro siglas conquistaram 16 vagas, exatamente dois terços da próxima legislatura.

As demais cadeiras ficaram com MDB e PSD, com duas cada, além de Novo, PCdoB, PDT e PSDB, com uma vaga cada.

A composição partidária, entretanto, não significa que todos esses parlamentares possam ser classificados como bolsonaristas. O dado objetivo é a concentração de vagas em legendas situadas principalmente entre a centro-direita e a direita, enquanto o grau de alinhamento com o bolsonarismo varia conforme a trajetória de cada eleito.

Mudança antecede o bolsonarismo

A transformação política do Acre começou antes da ascensão de Jair Bolsonaro. O estado foi governado durante 20 anos por administrações ligadas ao PT, ciclo iniciado com Jorge Viana, em 1999, e encerrado em 2018, quando Gladson Cameli (PP) venceu a eleição para governador no primeiro turno.

Naquele mesmo ano, a votação de Bolsonaro tornou mais evidente a mudança no comportamento do eleitorado. O então candidato recebeu no Acre sua maior votação proporcional entre os estados brasileiros no segundo turno.

Oito anos depois, as urnas de 2026 mostram que essa característica não está mais restrita à disputa presidencial. Além da ampla vantagem de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, candidatos de partidos de direita e centro-direita conquistaram as duas vagas ao Senado, seis das oito cadeiras da Câmara Federal e a maior parte dos assentos da Aleac.

Os resultados não significam que todos os eleitos pertençam ao mesmo grupo político ou tenham posições idênticas. Mostram, porém, que a força eleitoral da direita no Acre, antes especialmente visível nas disputas presidenciais, hoje também encontra reflexo significativo na representação política escolhida pelo estado.

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