Rio Branco, 21 de outubro de 2026.

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De Xapuri a um mosteiro em Minas, acreana faz compromisso definitivo com a vida religiosa

Jovem acreana de 26 anos celebra consagração definitiva como monja beneditina no Mosteiro Santa Cruz – Foto cedida

Uma jovem natural de Xapuri, no interior do Acre, transformou uma curiosidade despertada ainda na adolescência em uma escolha definitiva de vida. Aos 26 anos, a religiosa Irmã Petra fez sua profissão monástica solene e recebeu a consagração virginal em uma celebração realizada no domingo, 11 de outubro passado, no Mosteiro Santa Cruz, em Juiz de Fora, Minas Gerais.

Filha dos produtores rurais Juliana Pereira de Souza e Marcos Santana de Freitas, a monja iniciou sua caminhada religiosa ainda aos 13 anos. A história foi divulgada pela própria Arquidiocese de Juiz de Fora, em publicação em sua página na internet. A celebração foi presidida pelo arcebispo metropolitano, dom Marco Aurélio Gubiotti, e marcou uma etapa importante na trajetória da religiosa beneditina.

Segundo o relato, Irmã Petra ainda não era católica nem praticava a fé quando viu uma religiosa passar pela rua. A imagem despertou sua curiosidade e a levou a procurar na Bíblia informações sobre a vida consagrada. Durante essa busca, encontrou a passagem do Evangelho em que Jesus chama os primeiros discípulos para segui-lo.

“Aquela passagem do Evangelho me marcou muito. E, a partir daí, todo o Evangelho foi me marcando”, recordou a religiosa, conforme a publicação da Arquidiocese.

Formação religiosa começou no Acre

A aproximação com a vida religiosa levou a jovem a conhecer diferentes congregações até chegar às monjas beneditinas do Mosteiro Santa Maria da Esperança, em Rio Branco. Com o acompanhamento das religiosas, iniciou o discernimento vocacional e ingressou na comunidade aos 17 anos, mediante autorização especial.

Ao completar 18 anos, mudou-se para Juiz de Fora para dar continuidade à formação monástica. Em 2022, depois do encerramento da fundação à qual pertencia, sua caminhada prosseguiu no Mosteiro Santa Cruz, onde assumiu o compromisso definitivo com a vida beneditina.

A decisão foi recebida inicialmente com surpresa pela família, que, com o tempo, passou a viver a escolha com felicidade e orgulho. Em entrevista ao Portal Acre, a mãe da religiosa, Juliana Pereira de Souza, contou que os sinais da vocação apareceram desde cedo.

“Desde cedo a gente percebeu que ela queria vivenciar a vida religiosa, até que um dia ela nos falou que queria ser freira. Recebemos a notícia meio assustados, mas sabíamos que era um caminho muito maravilhoso e somos muito felizes com a escolha dela”, relatou.

Juliana também falou sobre a distância da filha, que vive em Minas Gerais, e o significado de acompanhar a realização de sua vocação.

“Representa gratidão, pois a partir do momento que ela está feliz, nós também somos felizes. A distância nos compensa em saber que ela está bem e feliz, e [temos] muito orgulho de ter presenciado esse momento tão lindo”, afirmou.

Profissão solene marca nova etapa

A celebração de 11 de outubro reuniu dois momentos distintos: a profissão monástica solene e a consagração virginal. A primeira formaliza o compromisso definitivo da religiosa com a vida beneditina e com a comunidade monástica. A segunda expressa sua dedicação a Deus por meio de um rito tradicional da Igreja Católica.

Na tradição beneditina, a vida monástica é orientada pela Regra de São Bento, que integra oração, trabalho, obediência e convivência comunitária. A leitura orante da Bíblia, conhecida como Lectio Divina, ocupa um lugar especial na história de Irmã Petra. Foi por meio dos Evangelhos que ela começou a se aproximar da fé e a compreender o caminho que desejava seguir.

Outra prática importante é a Liturgia das Horas, conjunto de orações distribuídas ao longo do dia e que organiza a rotina espiritual da comunidade. Ao recordar o sino que convoca as religiosas para os momentos de oração, a monja destacou um ensinamento que recebeu ao chegar ao mosteiro:

“O sino é a voz de Deus. Quando o sino toca, é Jesus chamando. A gente tem que largar tudo e responder ao chamado dele”.

A própria escolha do nome religioso também carrega um significado. Batizada como Isabelle, ela recebeu o nome de Irmã Petra ao ingressar no noviciado. A denominação remete ao apóstolo Pedro, cujo nome em latim, Petrus, está associado à ideia de rocha.

Para Irmã Petra, a profissão monástica solene não representa o encerramento de sua formação, mas o começo de uma nova fase de dedicação à vocação escolhida.

“Eu vejo muito não como um ponto de chegada, mas, na verdade, é um ponto de partida, é um início”, afirmou.

Comunidade mantém tradição beneditina

O Mosteiro Santa Cruz abriga uma comunidade de monjas beneditinas dedicada à oração, ao trabalho e à acolhida. De acordo com a publicação da Arquidiocese, o local reúne 21 religiosas, com idades entre 26 e 94 anos.

Além dos compromissos religiosos, as monjas realizam atividades para o sustento da comunidade, como trabalhos em uma gráfica, manutenção de um apiário e produção de pães, biscoitos, doces e geleias. Também recebem hóspedes e acolhem pessoas que procuram orientação espiritual ou um espaço de escuta.

A vida monástica é marcada pelo princípio beneditino ora et labora, expressão em latim que significa “reza e trabalha”. A proposta combina a oração e a contemplação com as tarefas cotidianas e a vida em comunidade.

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