Um eletricista de 46 anos, identificado como Francisco Herlineudo Dias Lira, conhecido como Leodinho Lira, denunciou à Polícia Civil ter sido agredido e ameaçado de morte por um morador do Condomínio Ecoville, em Rio Branco, na manhã desta terça-feira (13). Segundo a vítima, o episódio teria sido motivado por divergências políticas, após o suspeito perceber um adesivo de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em seu veículo.
O homem apontado como responsável pelas agressões é Júnior Branã, esposo da deputada Michelle Melo, que não conseguiu ser reeleita este ano, foi descrito na denúncia como apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Conforme o relato do trabalhador, o suspeito teria entrado em uma residência em construção, onde Leodinho prestava serviços, e iniciado uma série de ameaças e agressões físicas.
Em entrevista, o eletricista contou que o desentendimento começou quando chegou ao condomínio para trabalhar. Na ocasião, encontrou o morador tentando resolver um problema na bateria de um automóvel. O homem teria solicitado ajuda para realizar uma transferência de carga entre veículos, procedimento popularmente conhecido como “chupeta”.
Leodinho explicou que não poderia ajudar porque seu carro tinha apenas três meses de uso e ainda estava na garantia. Segundo ele, a recusa provocou uma reação agressiva do morador, que passou a fazer comentários ofensivos após perceber sua preferência política.
“Ele viu o adesivo no meu carro, que é do Lula, e começou a me xingar. Eu expliquei que não poderia ajudar porque meu carro estava na garantia e qualquer problema elétrico poderia me prejudicar”, relatou.
Após o primeiro desentendimento, o eletricista afirmou que decidiu ignorar as provocações e seguir com suas atividades profissionais. Entretanto, cerca de 40 minutos depois, o suspeito teria retornado à construção em uma caminhonete Ford Ranger prata.
Segundo a vítima, o homem estacionou em frente ao imóvel, desceu do veículo e começou a perguntar quem era o proprietário do carro com adesivos políticos.
“Ele chegou perguntando quem era o petista dono daquele carro. Quando respondi que era eu, ele começou a me ofender novamente. Depois levantou a camisa e mostrou uma arma que estava na cintura”, afirmou.
Ainda conforme o depoimento, o suspeito teria declarado que “petista merece morrer”, além de proferir outras ofensas relacionadas ao posicionamento político do trabalhador.
Diante da situação, Leodinho decidiu utilizar o celular para registrar a abordagem. Ele afirma que, ao perceber que estava sendo filmado, o homem entrou na construção e exigiu que a gravação fosse apagada.

O eletricista relatou que o suspeito avançou em sua direção, tentou imobilizá-lo e desferiu agressões que provocaram escoriações nos braços. Um pedreiro que trabalhava no local precisou intervir para tentar separar os envolvidos.
Durante a confusão, o telefone celular caiu sobre uma mistura de cimento utilizada na obra. O aparelho foi recuperado pelo pedreiro e continuou gravando parte da discussão.
“Ele tentava tomar meu telefone, me agarrava e tentava me imobilizar. O pedreiro ficou entre nós para impedir que ele continuasse. Eu consegui correr para trás de uma betoneira, enquanto ele ainda continuava me ameaçando”, contou.
Imagens divulgadas nas redes sociais mostram momentos da discussão no interior da construção. Entretanto, devido aos movimentos bruscos da câmera e à perda de enquadramento durante a confusão, não é possível confirmar, apenas pelo vídeo, todas as agressões descritas pelo trabalhador.
Após o ocorrido, Leodinho procurou a 3ª Delegacia de Polícia Civil de Rio Branco, onde registrou o boletim de ocorrência nº 96572/2026. O caso foi formalizado com as naturezas de lesão corporal dolosa, injúria e ameaça.
A Polícia Civil também expediu a requisição pericial nº 9639/2026, encaminhando o trabalhador ao Instituto Médico Legal (IML) para a realização de exame de corpo de delito, com o objetivo de verificar as lesões relatadas.
No depoimento prestado à polícia, o eletricista informou que o episódio foi presenciado pelo mestre de obras e por outros três trabalhadores. Ele também afirmou que a administração do condomínio tomou conhecimento da situação.
Júnior Braña foi procurado, mas não se manifestou. O espaço segue à disposição, caso haja interesse em uma manifestação.
Veja o vídeo:







