
A dois dias das eleições, a disputa pelo Governo do Acre entrou na reta final cercada por resultados divergentes em pesquisas de intenção de voto. Levantamentos divulgados por diferentes institutos apresentam cenários distintos para os dois principais nomes da corrida: enquanto pesquisas recentes colocaram a governadora Mailza Assis (PP) na primeira posição, um novo estudo divulgado nesta sexta-feira (2) aponta o senador Alan Rick (Republicanos) na liderança.
A diferença entre os números chama atenção principalmente pela dimensão. Na pesquisa IP Sensus divulgada nesta sexta, Alan aparece com 40,9% das intenções de voto, contra 28% de Mailza — uma vantagem numérica de 12,9 pontos percentuais.
O cenário é praticamente o inverso do apresentado pelo Data Control um dia antes. No levantamento divulgado na quinta-feira (1º), Mailza registrou 40,5%, enquanto Alan apareceu com 28,8%. Nesse caso, a governadora ficou 11,7 pontos percentuais à frente do senador.
Com resultados tão distintos às vésperas da votação, as pesquisas passaram a integrar a estratégia das campanhas. A equipe de Mailza tem destacando uma sequência de levantamentos realizados durante setembro que colocam a candidata à frente. Já do lado de Alan, o resultado do IP Sensus passou a ser divulgado nesta sexta-feira como indicativo de um cenário favorável ao candidato do Republicanos.
No levantamento do IP Sensus, além dos 40,9% de Alan e dos 28% de Mailza, Tião Bocalom (PSDB) aparece com 9,5%. Thor Dantas (PSB) registra 3,8%, Dr. Luisinho (Agir), 1,7%, e Eudo Raffael (PCB), 0,5%. Os votos brancos e nulos somam 6,1%, enquanto 9,5% dos entrevistados não souberam responder.
Foram ouvidos 1.000 eleitores entre os dias 26 e 28 de setembro. A margem de erro informada é de 3,1 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número AC-04671/2026.
A campanha de Mailza, por sua vez, aponta para resultados obtidos em levantamentos da Quaest, Delta e Data Control. Embora realizados em períodos, amostras e metodologias diferentes, esses estudos apresentaram a candidata do PP numericamente na primeira colocação.
Na Quaest divulgada em 25 de setembro, Mailza apareceu com 36%, contra 28% de Alan e 15% de Bocalom. Foram entrevistados 804 eleitores entre 21 e 24 de setembro, com margem de erro de três pontos percentuais. O levantamento foi registrado sob o número AC-08968/2026.
A própria Quaest havia apresentado um cenário diferente cerca de um mês antes. Na rodada divulgada em agosto, Alan aparecia com 33%, enquanto Mailza tinha 24%. Na pesquisa seguinte, Mailza passou para 36% e Alan registrou 28%, mostrando uma alteração no cenário captado pelo instituto durante o período de campanha.
A Delta também apresentou Mailza na primeira posição em suas pesquisas mais recentes. No levantamento divulgado em 30 de setembro, a candidata registrou 40,62%, contra 30,50% de Alan — uma diferença de 10,12 pontos percentuais. Bocalom apareceu com 12,38%. Foram entrevistados 800 eleitores entre 23 e 29 de setembro, com margem de erro informada de 3,5 pontos percentuais.
Já o Data Control, em pesquisa divulgada na quinta-feira (1º), apontou Mailza com 40,5%, Alan com 28,8% e Bocalom com 12,1%. Foram ouvidos mil eleitores, com trabalho de campo realizado até 30 de setembro e margem de erro informada de três pontos percentuais.
É justamente quando os levantamentos mais recentes são colocados lado a lado que a chamada “guerra das pesquisas” fica evidente. Enquanto o Data Control apresenta Mailza 11,7 pontos à frente de Alan, o IP Sensus aponta, em sentido contrário, Alan com 12,9 pontos de vantagem sobre Mailza.
A diferença entre pesquisas não significa, por si só, que uma delas esteja necessariamente incorreta. Levantamentos eleitorais são estimativas produzidas a partir de amostras da população e podem utilizar diferentes critérios de seleção dos entrevistados, distribuição geográfica, ponderação, período de coleta e métodos de abordagem. Cada resultado deve, portanto, ser analisado considerando sua metodologia, margem de erro e período de realização.
Nesse ambiente, as campanhas têm dado maior destaque aos levantamentos que apresentam resultados favoráveis aos seus respectivos candidatos, acirrando a disputa de narrativas sobre os números nos últimos dias da corrida eleitoral.
Apesar das diferenças expressivas entre os levantamentos, nenhuma pesquisa representa uma antecipação do resultado das urnas. A definição da disputa pelo Governo do Acre ocorrerá com os votos dos eleitores neste domingo, 4 de outubro.








