
Seis estudantes do Instituto Federal do Acre (Ifac) embarcaram na madrugada deste domingo (4) para uma experiência que pretende ampliar os horizontes acadêmicos e pessoais ainda durante o Ensino Médio. Representando os seis campi da instituição, eles participam, até o dia 18 de outubro, de um intercâmbio acadêmico e cultural em Bogotá, na Colômbia, por meio do Programa de Mobilidade STEM Internacional.
A iniciativa é promovida pelo Ifac, por meio da Diretoria Sistêmica de Relações Internacionais (DSRI) e da Diretoria Sistêmica de Assistência Estudantil (DSAES), em parceria com a AFS Intercultura Brasil. A seleção foi realizada por meio de edital e teve resultado oficial divulgado em agosto.
A delegação reúne Kayk Felismino Nogueira, do Campus Baixada do Sol; Valéria da Costa Nicácio, do Campus Cruzeiro do Sul; Luís Fernando Correia da Silva, do Campus Rio Branco; Cauã Bezerra Maciel, do Campus Sena Madureira; Anny Vitória de Araújo, do Campus Tarauacá; e Anna Lya Menezes Cardoso, do Campus Xapuri.
Todos são alunos de cursos técnicos integrados ao Ensino Médio e foram selecionados a partir de critérios que incluíram idade entre 15 e 18 anos, matrícula regular, ausência de reprovação no histórico escolar e média mínima de 7,0. O processo também contou com análise documental, teste de proficiência em língua espanhola e entrevista.
Para Anna Lya, do Campus Xapuri, a viagem representa a realização de um sonho que ganha um significado ainda maior por ela poder representar estudantes do interior do Acre em uma experiência internacional.
“Meu sentimento pra essa viagem é de ser um sonho realizado e principalmente um sonho que muitos estudantes de baixa renda não podem realizar, e saber que eu posso representar o estudante do interior em uma aventura tão grande quanto essa, me faz sentir vitoriosa”, afirma.
A expectativa, segundo ela, também está relacionada às novas experiências que terá durante os 16 dias na Colômbia.
“Minhas expectativas são que eu vou fazer novos amigos, aprender uma nova língua, conhecer uma cultura diferente da minha e principalmente representar minha cidade, meu estado, meu campus e minha família”, acrescenta.
Uma sala de aula fora do Acre
Durante os 16 dias de programação, os estudantes terão contato com universidades, laboratórios, centros de inovação e espaços de produção de conhecimento. A agenda inclui atividades na Universidad de La Sabana, com experiências relacionadas à abordagem STEM — que reúne Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática —, além de atividades em FABLAB, laboratório de eletrônica e simulação e oficinas de inovação.
A programação também prevê experiências de ciência aplicada, Living Lab, cocriação e biodiversidade, além de atividades na Universidad Nacional de Colombia.
O intercâmbio, porém, não se limita à dimensão acadêmica. Os estudantes também participarão de uma programação de imersão na cultura colombiana, com visitas e atividades no Jardim Botânico, Museu Maloka, Laguna de Guatavita, Planetário de Bogotá, Museu Nacional, La Candelaria, Museu do Ouro e Museu Botero.
A proposta é fazer da viagem uma experiência de formação ampla, na qual o aprendizado acontece tanto nos ambientes acadêmicos quanto no contato direto com outra sociedade, outro idioma e novas formas de compreender o mundo. Para o Ifac, a experiência representa uma estratégia de internacionalização da Educação Profissional, Científica e Tecnológica.
Uma oportunidade que pode inspirar outros jovens
A viagem dos seis estudantes também carrega um efeito simbólico para além dos participantes. Ao reunir representantes de todos os campi, a experiência mostra aos demais alunos que uma oportunidade internacional pode fazer parte da trajetória de quem ingressa em um curso técnico no Acre.
A instituição pretende que essa possibilidade também contribua para atrair novos estudantes e aproximar as famílias acreanas das oportunidades oferecidas pela educação pública federal.
Outro aspecto importante do programa é o investimento para garantir a participação dos estudantes. A iniciativa prevê bolsa de mobilidade internacional e custeio das despesas estabelecidas no edital.
Para o diretor sistêmico de Relações Internacionais do Ifac, professor doutor Luiz Eduardo Guedes, a mobilidade deve ser compreendida como algo maior do que uma viagem.
“Essa mobilidade representa muito mais do que uma viagem internacional. São seis estudantes, de todos os campi do IFAC, que terão contato com universidades, laboratórios, ciência, tecnologia, inovação e uma nova cultura”, afirma.
Ainda segundo ele, a expectativa é que os estudantes retornem ao Acre com novos conhecimentos, maior autonomia e novas perspectivas sobre o próprio futuro. A iniciativa também pretende mostrar a outros jovens acreanos que a formação no Ifac pode abrir possibilidades que, muitas vezes, eles ainda não imaginam, mas que estão ao alcance.







