Rio Branco, 24 de outubro de 2026.

Padrão Einstein no SUS: e o que isso muda para você?

Imagine a dona Maria, que descobriu um nódulo e agora espera pela biópsia, depois pelo resultado, depois pela consulta com o especialista. Ela não está pensando em eleição. Está pensando em quanto tempo falta para o tratamento começar.

É pela dona Maria e por nós que vale conversar sobre uma frase que ficou famosa na campanha: “padrão Einstein”. Uma das candidaturas à Presidência prometeu levar esse padrão ao SUS e anunciou que o futuro ministro da Saúde viria do universo do hospital. No debate, falou em prontuário único, telemedicina e inteligência artificial.

Que fique claro que esta coluna não toma partido. Só quer traduzir a expressão para a vida real e trazer um pouco de clareza para você sobre o significado da expressão “Padrão Einstein”.

Eu tive a oportunidade de conhecer o Hospital Israelita Albert Einstein, considerado o melhor Hospital da América Latina e o 16º melhor hospital do mundo. Eu acostumada a trabalhar no SUS e conhecer a realidade da falta de materiais, medicamos e insumos básicos, a realidade da espera, da escassez e da ausência, conhecer um hospital com estrutura física digna de hotéis cinco estrelas, com suítes, restaurantes, lojas e nada de escassez foi para mim a experiencia viu.

Agora, o que deve ficar claro é que quando é feita a referência ao Padrão Einstein, não há dúvidas que a tradução da expressão é cuidar de forma organizada. Isso significa seguir protocolos, que são condutas baseadas em evidências para que cada paciente receba o tratamento certo, na hora certa. Significa acompanhar os prazos de perto para evitar ao máximo as agruras de um sistema que não segue padrões e que por vezes parece uma terra sem lei.

Quem já entrou no Pronto Socorro da Capital, certamente experimentou a sensação de estar diante de um cenário de guerra, pessoas aguardando leitos em corredores, salas super lotadas e a impressão do salve-se quem puder.

Ah! Esse tal padrão é um sonho que não vai chegar aqui, um local tão distante e por vezes esquecido. Eu te digo querido leitor que esse sonho é possível realizar sim, desde que exista um esforço conjunto entre os Governos, entre gestores.

Essa possibilidade ganha força quando lembramos que o SUS é tocado por União, estados e municípios, e uma promessa federal sozinha não chega até a dona Maria. É o estado que costuma administrar hospitais de referência, organizar a regulação de vagas e consultas, manter a rede de alta complexidade e custear o transporte de quem precisa se tratar longe de casa.

E aqui vai o cuidado. Protocolo organiza o atendimento, mas não cria leito, médico, aparelho nem remédio. Isso depende de dinheiro e de gestão, nas três esferas. E nenhum protocolo vale mais do que o seu direito de entender o que está acontecendo e de participar das decisões sobre o seu tratamento, como garante o Estatuto do Paciente.

Sobre a parceria com o setor privado, a lei permite que ele ajude o SUS de forma complementar, por contrato público. O próprio Einstein atua no SUS há 25 anos e gerencia 34 unidades. Quem apoia a ideia vê nela um caminho. Quem critica teme que o lucro passe na frente do direito. Os dois lados têm argumentos, e há um ponto em que todos concordam: o SUS é para todos, sem exceção.

Estamos vivendo um momento muito importante em que votaremos para dois cargos que decidem o presente e o futuro, a eleição de governador também importa: em seis estados e no Distrito Federal, o segundo turno inclui a disputa pelo governo. Protocolo e tecnologia dão resultado quando há investimento local em equipe, equipamento, leitos e logística.

No fim, o que dona Maria quer é simples: ser atendida no prazo, entender o que está acontecendo e se sentir segura. Uma promessa só vira política pública quando ganha meta, orçamento e data, em Brasília e no governo do estado. É isso que cabe cobrar, e é isso que o seu voto, e a sua voz depois dele, podem lembrar.

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Aline Ramalho

Advogada, especialista em Direito da Saúde, com foco em medicamentos e tratamentos de alto custo, especialmente em casos oncológicos, coautora de livros. Comprometida em viabilizar acesso digno e efetivo à saúde.

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