
O Acre deve enfrentar um trimestre com precipitações abaixo da média histórica, mesmo durante o período tradicionalmente mais chuvoso da região. A previsão para novembro de 2026 a janeiro de 2027 consta no Relatório Hidrometeorológico nº 198, divulgado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) na sexta-feira (6), e indica condições desfavoráveis à recuperação dos níveis dos rios nos próximos meses.
O prognóstico aponta maior probabilidade de chuvas abaixo da faixa normal em todo o território acreano, assim como em Roraima, Amapá, Pará, Amazonas, norte de Rondônia e outras áreas da Amazônia Legal. O cenário também prevê temperaturas acima da média histórica em grande parte da região, combinação que pode intensificar a perda de umidade do solo e prolongar os efeitos da estiagem.
A análise considera a previsão climática sazonal elaborada pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/Inpe), pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), além do Boletim Climático da Amazônia, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).
Segundo o relatório, as condições observadas no Oceano Pacífico Equatorial apresentam características associadas ao El Niño, com anomalias positivas de temperatura da superfície do mar que chegaram a aproximadamente 2°C acima da média histórica em setembro. O aquecimento das águas e o acoplamento entre oceano e atmosfera favorecem a continuidade do fenômeno durante o trimestre analisado.
Níveis dos rios apresentam redução
Os dados mais recentes do monitoramento hidrometeorológico, referentes à manhã de 6 de novembro, mostram redução dos níveis em diferentes pontos das principais bacias hidrográficas do estado.
Na bacia do Rio Acre, Xapuri registrou 1,68 metro, ante 1,73 metro no dia anterior. O nível está 52 centímetros abaixo da cota de estiagem, estabelecida em 2,20 metros. Em Rio Branco, o manancial permaneceu em 1,75 metro, 1,25 metro abaixo da referência de estiagem, de 3 metros.
Em Sena Madureira, o Rio Iaco passou de 1,54 metro para 1,34 metro em 24 horas. Já em Tarauacá, o nível caiu de 4,01 metros para 3,75 metros. No Rio Juruá, em Cruzeiro do Sul, a medição passou de 5,89 metros para 5,51 metros no mesmo intervalo.
O relatório também informa que não houve registro significativo de chuva nas 24 horas anteriores em diversas estações monitoradas pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
Previsão indica distribuição irregular das chuvas
Para o período de 6 a 12 de novembro, a previsão meteorológica estimou volumes acumulados entre 10 e 75 milímetros no Acre. Entretanto, o prognóstico aponta anomalias negativas de precipitação em quase todo o estado, indicando possibilidade de chuvas inferiores à média esperada para o período.
Uma exceção aparece em parte da região do Juruá, no trecho entre Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul, onde há indicação de precipitações acima da média prevista para a semana. Em contrapartida, áreas entre Jordão, Santa Rosa do Purus e Bujari apresentam sinais de maior déficit de chuva.
As previsões, entretanto, são probabilísticas e não significam que todos os municípios terão necessariamente o mesmo comportamento climático. A evolução das condições meteorológicas e hidrológicas deverá ser acompanhada nos próximos boletins dos órgãos de monitoramento.







