Rio Branco, 31 de agosto de 2025.

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Marchetaria sustentável: Artesão de Cruzeiro do Sul transforma sobras de madeira em arte e pode expor peças na COP30

O Festival da Farinha segue apresentando diversidade e cultura. Ao falar de Cruzeiro do Sul, duas referências vem logo a mente: a farinha e a marchetaria. Reconhecida internacionalmente, a arte da marchetaria tem grandes nomes conhecidos, um deles é Thiago de Melo.

Trabalhando com madeira desde os 13 anos de idade, Thiago conversou com a equipe de reportagem do Portal Acre e compartilhou um pouco da sua trajetória. “Aos 18 anos, trabalhei numa área de energia, mas nunca deixei de trabalhar com madeira. O meu dom é esse aqui, trabalhar com madeira. Então, eu tenho uma habilidade com torno e essas peças todas são uma parte de marchetaria e uma parte de torneamento. Como eu tenho essa prática, eu comecei a ver nas marcenarias o estrago de madeira. E a partir desses pedaços de madeira que os outros jogavam e tocavam fogo, comecei a fazer essas peças. Isso aqui seria descarte, isso aqui seria lixo. Além de tudo, ajuda o meio ambiente. Eu trabalho com o lixo das outras marcenarias”, compartilhou.

Produtos de madeira encantam pela beleza. Foto de Céfas Queiróz

Outro ponto abordado pelo artesão foi sobre o processo de produção de cada peça que ele transforma. “Uma peça como essa você corta aos pedacinhos, tem um grau para colar os anéis e depois monta em cima, coloca em uma prensa de 15 toneladas, no caso eu coloco 4 toneladas, deixo 24 horas, depois coloco no torno e vou tornear a peça. É um processo, aqui é pedacinho por pedacinho, cada pedaço de madeira, por exemplo, um madeiro daqui tem cerca de 180 pedaços de pau. Sendo que os marceneiros mesmo aqui, eles ficam perguntando como é que eu faço isso”, explica sobre como parte das peças tomam forma.

De acordo com Thiago, o início da sua aprendizagem na área começou ao assistir vídeos na internet. “É uma escola para todo mundo. Eu seguia um japonês que fazia essas peças. E comecei a trabalhar seguindo. Quando ele ia me dar o ponto final, o ponto chave para cortar essas peças e não ficar brecha, ele cortava o vídeo. Tem um senhor na marcenaria que a gente chama de professor, um grande profissional na área, e eu estava atrás de achar esse grau para cortar essa peça. O professor disse, vem cá, traz o transferidor aqui. Levei o transferidor e disse: vai cortar assim, vai lá na tua máquina e coloca tal grau. E deu certo. Começou a fechar todinho. Depois de seis meses tentando fazer uma peça dessa”, detalhou sobre parte do processo de aprendizagem.

Conforme o artesão, o tempo de produção varia de acordo com cada peça. “Não trabalho o dia todo em uma única peça. Eu colo uma parte, trabalho duas horas e deixo na prensa colando. No outro dia outra parte e assim vai. Vou emendando as peças, torneando e emendando e fazendo o tamanho que eu quero da peça”, pontuou.

Além de originais, as peças também possuem valor agregado custando, em média, R$ 600. O tempo e a dedicação ao trabalho aumentam a qualidade dos produtos. Colhendo os frutos de tudo isso, Thiago revela uma grande novidade: está cotado para participar da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30) que vai acontecer em novembro, na cidade de Belém, no Pará.

“Estou sendo cotado para mandar as peças para a COP30. Já fiz o portfólio, já me inscrevi e tudo, não sei qual é o processo, mas já mandaram me inscrever e eu tenho que ir pra COP30, em Belém, com representantes do mundo inteiro. O diferencial é que eles me contrataram, estão querendo levar essas peças porque é reciclagem. Eu trabalho com o resto das outras marcenarias”, enfatizou.

Para quem se interessar pelas peças produzidas por Thiago basta ir ao Polo Moveleiro de Cruzeiro do Sul. Além disso, também pode entrar em contato pelo número (68) 99958-5955 e acessar os perfis da Marcenaria Rodrigues nas redes sociais.

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