A 8ª edição do Festival da Farinha tem surpreendido ao apresentar inovações tecnológicas para o modo de produção de uma das principais marcas da identidade de Cruzeiro do Sul: a farinha de mandioca.
No festival, há uma unidade automatizada que serviu para técnicos e agricultores destacarem que a tecnologia agiliza o trabalho sem comprometer a tradição e a qualidade da farinha do Vale do Juruá. Para apresentar essa tecnologias, a reportagem do Portal Acre conversou neste sábado, 30, com o agrônomo Murilo Matos, que explicou a importância da mecanização das casas de farinha do município.

“Isso aqui é uma nova geração de fazer farinha. Todo trabalho manual, o trabalho mais pesado que existe da casa de farinha. É uma máquina que tira todo o esforço físico. Por exemplo, essa máquina faz oito sacos de farinha em dez horas. Para fazer essa mesma quantidade de forma manual, nós precisamos de em torno de cinco homens, trabalhando em torno de 14 a 16 horas. Então, reduz muito o tempo”, explicou o agrônomo.
A modernização promete reduzir o esforço físico dos produtores, aumentar a produtividade e manter a qualidade que tornou o produto referência nacional. Murilo ressaltou que a tecnologia mantém a tradição e garante ainda mais qualidade à farinha. “A grande vantagem dessa máquina é justamente o controle que você tem todo dela. Para secar, você regula a velocidade. Se você quer mais grossa você deixa mais fina, mais devagar. Se você quer mais fina, você dá mais velocidade na máquina”, detalhou.

O produtor José Ronaldo trabalha com farinha há cerca de 30 anos e destacou que a mudança deixou o serviço menos pesado do que o trabalho manual.
Questionado sobre o que faz a farinha de Cruzeiro do Sul ser especial, Ronaldo diz que a dedicação é essencial na qualidade do produto. Além disso, ele reforçou a importância da automoção para ampliar a produção.
“É o capricho para fazermos ela. Porque antigamente a fazíamos tudo manual, mas não sabíamos como era. Mas agora pegamos a dica de como fazer e fica bem melhor. Se eu for fazer manual, só faço duas ou três sacas no dia. Mas depois de uma máquina como essa, eu poderia chegar até 10 sacas”, enfatizou.
É importante ressaltar que a modernização não tira a essência da farinha, mantendo a qualidade e melhorando o processo produtivo.