Rio Branco, 24 de maio de 2026.

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“Não tive acesso a programas de saúde mental”, diz Ofélia Contreiras sobre período de luto após a morte dos dois filhos

Ofélia falou sobre a dificuldade em acessar atendimento qualificado quando perdeu os filhos: Foto Everton Monteiro

Aviso: Esta reportagem trata sobre o suicídio e pode ser um gatilho para pessoas sensíveis ao tema. Priorize o seu bem-estar.

O Sem Filtro, podcast de entretenimento e empreendedorismo do Portal Acre, recebeu nesta terça-feira, 2, a psicóloga Ofélia Contreiras, que compartilhou a sua história com o luto e a missão de ofertar tratamento e suporte psicológico para jovens de baixa renda.

Em 2012, o filho Heitor, na época com 27 anos, foi assassinato após um desentendimento no trânsito. Em 2015, o filho mais novo, Lucas, de 20 anos, tirou a própria vida por esgotamento mental após a perda do irmão. Ofélia relata que após a morte de Heitor, o caçula perdeu o interesse pela vida. Sem conhecimento sobre o assunto e sem acesso à meios de cuidado com a saúde mental, a mãe não soube a quem recorrer, mas conta que tentou ajudar o filho.

Contreiras falou sobre a dificuldade de receber atendimento qualificado na época em que perdeu os filhos. “Foram três anos da morte do Heitor para a do Lucas, e nesse período, eu não tinha acesso a programas de saúde mental, não tinha informação. Algumas vezes eu fui até o Pronto Socorro, mas ali era triste, e eu tenho certeza que muitas coisas mudaram de lá para cá. Quando Lucas precisou, eu nem sabia que podia levar ele ao psiquiatra”, pontuou.

Emocionada, Ofélia lembrou o dia da tragédia. “Eu lembro que tinha me deitado ao lado dele e quando me levantei, para buscar ajudo e apoio dos meus familiares, eu me vi ali ao lado dele. Tinha um Ofélia que morria junto. Eu não queria, mas tive que me levantar, e eu tive que me refazer naquele momento mesmo. O momento que mais me doeu foi ver o meu filho dentro daquele saco”, acrescentou.

No luto, Ofélia aprendeu a encontrar um propósito e disse que encontrou forças, principalmente, na família e amigos. “O processo é difícil, eu quis ficar naquele quarto escuro, mas a minha família é muito unida e eles estenderam a mão, me levantaram, e eu fiz uma promessa, que é ajudar quem precisava. Eu pensei nossa, mas eu já tenho mais de 40 anos, mas lembrei que o tempo passa do mesmo jeito, me levantei e cumpri minha promessa. Eu nunca quis santificar os meus filhos, mas peguei isso e transformei em algo que pudesse ajudar outras pessoas”.

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