
O Acre está inserido entre os estados da Amazônia Legal que concentram atenção especial nas análises do Relatório GEO Brasil 2025 – Estado e Perspectivas do Meio Ambiente, divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Fundação Getúlio Vargas (FGV) e Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) durante a COP-30. Embora o documento tenha abrangência nacional, o estado aparece no contexto das regiões onde o avanço do desmatamento e da degradação florestal tem se deslocado para áreas mais internas da floresta amazônica.
De acordo com o relatório, o desmatamento na Amazônia, que está historicamente concentrado no chamado arco do desmatamento, vem avançando para novos territórios, alcançando sobretudo grandes eixos rodoviários, a exemplo da BR-364, que atravessa o território acreano. Esse processo está associado principalmente à expansão da agropecuária, à ocupação irregular de terras públicas e a falhas no ordenamento fundiário.
O estudo destaca ainda que uma parcela significativa da supressão florestal ocorre em terras públicas não destinadas, fator considerado crítico para o controle do desmatamento na Amazônia Legal. Segundo o GEO Brasil 2025, esse tipo de ocupação dificulta a fiscalização ambiental e amplia os conflitos pelo uso da terra.
Além do corte raso, o relatório chama atenção para o crescimento da degradação florestal, impulsionada por queimadas recorrentes, períodos prolongados de seca e pela fragmentação da floresta. Estados amazônicos, entre eles o Acre, figuram entre as áreas onde o fogo tem sido utilizado como instrumento de abertura de áreas e manutenção de atividades ilegais, contribuindo para o aumento das emissões de gases de efeito estufa.
No campo climático, o GEO Brasil 2025 ressalta que a Amazônia Legal responde pela maior parcela das emissões brasileiras relacionadas ao uso da terra e às mudanças no uso do solo. Como parte desse território, o Acre integra o debate estratégico sobre o cumprimento da meta nacional de desmatamento zero até 2030, considerada fundamental para a redução das emissões e para o cumprimento dos compromissos climáticos assumidos pelo Brasil.
O relatório também reforça a importância da Amazônia para a segurança hídrica nacional. Cerca de 80% da disponibilidade de água do país está concentrada na Região Amazônica, onde se localiza o Acre. No entanto, o avanço do desmatamento e as mudanças climáticas tendem a alterar o regime de chuvas e a dinâmica dos rios, com impactos diretos sobre populações urbanas, comunidades rurais e tradicionais.
“Secas extremas, rios e lagos que desaparecem em períodos de estiagem, florestas que reduzem a produção de frutos e chuva e ecossistemas que perdem a capacidade de se regenerar. O que antes era projeção científica agora começa a se tornar realidade em vários biomas brasileiros e coloca o país diante do risco crescente de transformações ambientais que podem ser irreversíveis”, afirma Carlos Nobre, um dos autores, que já foi pesquisador do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
Para os autores do estudo, o futuro ambiental do Brasil passa, necessariamente, por estados como o Acre, que ainda concentram grandes áreas de floresta preservada. O fortalecimento de políticas públicas voltadas ao ordenamento territorial, à fiscalização ambiental e ao incentivo a atividades produtivas sustentáveis é apontado como decisivo para conter a degradação e garantir um modelo de desenvolvimento compatível com a conservação da Amazônia.
Nesse cenário, o Acre se diferencia por ter instituído, ainda em 2010, o Sistema Estadual de Incentivos a Serviços Ambientais (SISA), por meio da Lei nº 2.308, considerada um marco pioneiro no Brasil. O SISA estabelece uma política pública voltada à manutenção e ampliação dos serviços ecossistêmicos, reconhecendo o valor ambiental, social e econômico da floresta em pé.
A legislação acreana prevê incentivos a serviços como o sequestro e a conservação de carbono, a regulação climática, a conservação da sociobiodiversidade, das águas e do solo, além da proteção da beleza cênica, da valorização cultural e do conhecimento tradicional das populações da floresta. No âmbito do SISA, o Programa ISA Carbono tornou-se o primeiro programa de REDD+ jurisdicional do Brasil, colocando o Acre em posição de destaque nas políticas subnacionais de enfrentamento às mudanças climáticas.







