Rio Branco, 1 de maio de 2026.

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Apenas 5% dos moradores de áreas protegidas querem deixar o campo, aponta estudo brasileiro

Resex acreana é citada em estudo de cientistas brasileiras – Foto: Raimari Cardoso

Um estudo brasileiro recém-publicado na revista científica Frontiers in Ecology and the Environment reacende um debate recorrente no país: a relação entre preservação ambiental, economia e desenvolvimento social. Intitulado Desvendando o potencial das áreas protegidas para promover o desenvolvimento sustentável, o trabalho reúne evidências internacionais para avaliar se a criação de áreas protegidas gera impactos além da conservação da natureza — e como esses impactos se manifestam na vida das populações locais.

Um dos dados que mais chama atenção no levantamento diz respeito à permanência das comunidades em seus territórios. De acordo com a pesquisa, apenas 5% dos residentes adultos que vivem em áreas protegidas manifestam desejo de se mudar para centros urbanos. Fora dessas áreas, esse percentual sobe para 58%. O dado é apresentado pelas autoras como um indicativo de que esses territórios podem oferecer condições de vida capazes de reduzir a pressão migratória para as cidades.

No Brasil, o trabalho destaca as reservas extrativistas, inspiradas por lideranças como Chico Mendes, como um modelo que busca conciliar conservação ambiental com direitos territoriais, diversidade cultural e atividades econômicas de baixo impacto. Na Amazônia, áreas protegidas de uso sustentável aparecem associadas a melhores indicadores de acesso a serviços básicos, como saúde, educação, eletricidade, saneamento e comunicação, além de maior renda familiar. É nesse contexto que surge o dado sobre a baixa intenção de migração para áreas urbanas entre moradores de territórios protegidos, apresentado como um reflexo das condições de permanência oferecidas nesses espaços.

A pesquisa foi conduzida por cientistas do Laboratório de Ecologia de Ecossistemas e Conservação (LECE), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Pessoal de Nível Superior (Capes). O trabalho consistiu em uma ampla meta-análise que reuniu mais de 400 medidas de impacto de áreas protegidas em diferentes regiões do mundo.

Limites e próximos passos

As autoras destacam que, apesar do potencial identificado, a maior parte da literatura científica ainda se concentra nos efeitos ambientais das áreas protegidas, com menor atenção às dimensões sociais e econômicas. O estudo aponta a necessidade de ampliar a agenda de pesquisa, integrando essas dimensões de forma sistemática e considerando as especificidades locais.

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