Rio Branco, 29 de abril de 2026.

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Rio Branco acolhe migrantes com abrigo temporário, apoio humanitário e acesso ao mercado de trabalho

Prefeito Bocalom visitou a casa de passagem onde são abrigados os imigrantes – Foto: Everton Monteiro

O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, realizou nesta segunda-feira, 5, uma visita à casa de passagem Abrigo para Migrantes. A visita teve como objetivo apresentar e reforçar as ações desenvolvidas em prol da população migrante que passa pelo estado.

Entre as iniciativas do abrigo estão ações voltadas para as áreas de assistência social, acolhimento humanitário, garantia de direitos, acesso a serviços públicos e apoio à integração social.

Bocalom ressaltou a importância do papel humanitário desempenhado pelo Município com os migrantes que passam pela cidade.

“Quando você não está bem no seu país, você procura outro país. Os venezuelanos, por exemplo, saíram de lá, e como parte deles passaram e estão por aqui ainda. O que eu quero dizer é que a Prefeitura procurou sempre dar o carinho e o acolhimento a esses irmãos, porque são seres humanos do mesmo jeito que nós”, afirmou.

De acordo com o prefeito, o Município tem arcado com grande parte dos custos do acolhimento. “A Prefeitura, apesar de não ter tido todo o apoio do governo federal, porque se trata de uma ação que deveria ser do governo federal, tem bancado parte dos custos desses acolhimentos”, disse.

Conforme o gestor da capital acreana, mais de 2 mil venezuelanos já passaram pelo abrigo. “Foram atendidas mais de 2.100 pessoas aqui de venezuelanos que passaram pelo nosso abrigo, sem contar os que passam direto, direto, fugindo do massacre que tinham lá, massacre em todos os sentidos, massacre psicológico, massacre de fome e massacre mesmo civil”, disse.

Para Bocalom, muitos migrantes ainda nutrem o desejo de retornar ao seu país de origem. “A esperança deles é de poder retornar para o seu país. É claro, todo mundo quer retornar para o seu país. É lá que são os seus parentes, é lá que eles pretendiam viver o resto da vida”, declarou.

Segundo a coordenadora da casa de passagem, Carla Santos, atualmente, a unidade abriga 64 migrantes, sendo 54 venezuelanos, e funciona como um espaço de acolhimento temporário e recebe migrantes tanto por migração espontânea quanto por articulação com casas de passagem localizadas na fronteira.

De acordo com Carla, no momento, a maior parte dos atendimentos ocorre de forma espontânea, quando os migrantes chegam à cidade em situação de vulnerabilidade social.

Coordenadora explica como funciona a casa de passagem – Foto: Everton Monteiro

“A nossa casa é uma casa de acolhimento temporário, onde nós recebemos o migrante através da migração espontânea, onde ele vem livremente, ou através da articulação com as casas de passagem de fronteira. Atualmente, tem sido muito migração espontânea. Então, quando eles chegam, ficam em situação de rua, nós acolhemos esse migrante, damos o primeiro suporte no acolhimento humanitário, onde ele é saciado na situação da fome, da higiene pessoal, e recebe esse atendimento básico”, explicou.

Após esse primeiro acolhimento, os migrantes passam por processo de escuta qualificada, realizada por uma equipe técnica, com acompanhamento psicológico e encaminhamentos para regularização documental e acesso aos serviços públicos.

“Quando ele passa pela escuta qualificada, nós levantamos os serviços através da equipe técnica com o nosso psicólogo, e os encaminhamos para fazer seus os documentos, porque eles entram no Brasil com protocolo de refúgio somente e precisam de CPF para tirar o cartão do SUS. Além disso, levamos para a Polícia Federal e para receita. Nós temos um motorista à disposição da casa para documentar esse migrante em solo brasileiro”, detalhou.

O suporte também inclui atendimentos de saúde, atualização da carteira de vacinação e encaminhamentos para unidades básicas e de urgência. O abrigo também atua diretamente na inclusão dos migrantes no mercado de trabalho, por meio de parcerias com empresas e instituições.

“Fazemos parceria com as URAPs, com as UPAs, fazemos o atendimento emergencial na saúde quando necessita e fazemos os agendamentos com a rede de saúde. Então, levantamos esse migrante, atualizamos carteira de vacinação e trabalhamos também com a inclusão no mercado de trabalho através de parcerias com empresas em níveis de Brasil, através do Sine”, comentou.

Entre as principais parcerias, está uma empresa do setor frigorífico, que possibilita a chamada interiorização dos migrantes para outros estados do país, como Cuiabá ou Brasília. Além disso, o trabalho da casa de passagem também conta com o apoio de organizações não-governamentais e entidades civis, como a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e a Pastoral do Migrante.

“Nós temos também parcerias com ONGs e sociedades civis, onde o município não alcança, já que não é o único responsável social pela migração. Nós temos uma parceria muito importante com a Organização Internacional de Migrantes, que hoje é quem ajuda com aporte financeiro, e a Pastoral do Migrante, para liberação de recursos para compra de passagens”, destacou.

Em 2025, o abrigo recebeu cerca de 654 migrantes, sendo 513 da Venezuela, 77 da Colômbia, 32 do Peru, 12 do Equador, 10 de Cuba, 5 do Chile, 1 dos Estados Unidos, 1 da França, 1 do Haiti e 1 da República Dominicana.

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