Rio Branco, 24 de maio de 2026.

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Um ano sem David Lynch: o legado surrealista do diretor que transformou o modo de fazer cinema

Cidade dos Sonhos, um dos maiores sucessos do cineasta surrealista – Foto: reprodução

Há um ano, o cinema surrealista perdia um de seus maiores entusiastas. Aos 78 anos, em 16 de janeiro de 2025, o cineasta norte-americano David Lynch faleceu em decorrência de uma parada cardíaca, desencadeada por uma doença pulmonar crônica.

No cinema e na televisão, com produções como Eraserhead (1977), Cidade dos Sonhos (2001) e Twin Peaks (1990), Lynch construiu um legado sólido baseado no uso do sombrio e do desconcertante. Ainda que considerado estranho, incomum ou até incompressível para certo grupo de apreciadores da sétima arte, o diretor utilizava do surrealismo e do terror para debater temáticas relevantes e de cunho social.

A mente humana, o psicodélico, a dualidade entre sonho e realidade e o mal e a inocência, foram só algumas das vertentes escolhidas por David Lynch para ambientar histórias e construir personagens que marcaram gerações, como a eblemática Laura Palmer, cujo assassinato é um dos grandes mistérios e ponto de partida da série Twin Peaks.

Estudante de Jornalismo, a acreana Beatriz Mendonça é uma admiradora do trabalho de David Lynch. “Eu admiro muito a forma como ele olhava para a vida e como ele escolhia representar isso. Foi o primeiro contato que tive com cinema surrealista e foi uma experiência surpreendente, porque é muito mais do que ver algo na tela, é sobre sentir”, compartilha.

Uma das marcas registradas de Lynch também foi a ausência de explicações, suas obras deveriam ser compreendidas a partir da experiência individual. Para Beatriz, essa é uma das qualidades das produções do diretor.
“Quando você sente, é algo muito pessoal, você tem a interpretação daquilo e essa é a explicação. É por isso que ele se recusava a explicar as criações”, acrescenta

Beatriz é uma admiradora do trabalho e destaca que Lynch foi responsável por mudar a forma de fazer séries – Foro: acervo pessoal

Fã de Twin Peaks, a estudante compartilha que as contribuições de Lynch mudaram a forma de se fazer séries. “A marca que ele deixou no cinema e na TV é gigantesca. Twin Peaks mudou muito o modo de como se produziu séries, e praticamente metade das séries que foram feitas depois, foram inspiradas nela de alguma forma. O nome dele é referência, tanto que qualquer elemento ‘estranho’ em um filme, é apontado como lynchiano”, relata.

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