Rio Branco, 22 de maio de 2026.

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Acre é o estado com a maior porcentagem de vítimas de feminicídio com medida protetiva

A pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, “Retrato dos feminicídios no Brasil”, aponta, entre outros dados, a relação entre o total de vítimas de feminicídio e a existência de Medida Protetiva de Urgência vigente no momento do crime. O Acre apresentou o maior percentual. Conforme o estudo, 25% das vítimas no estado tinham medida protetiva quando foram assassinadas.

O levantamento aponta que a média nacional é de cerca de 13,1%, o que faz com que o Acre tenha quase o dobro da média. Próximo ao estado, estão: Mato Grosso (22,2%), São Paulo (21,7%) e Minas Gerais (16,7%). No outro extremo, ficam: Distrito Federal e Maranhão, com a mesma porcentagem (4,3%), Alagoas (4,5%) e Mato Grosso do Sul (5,9%).

Apesar da porcentagem alta, é preciso levar em consideração os números absolutos, no Acre, foram dois casos de mulheres assassinadas que tinham medica protetiva. Entretanto, a pesquisa soma a quantidade proporcional por população. De acordo com o levantamento, os dados revelam algo estrutural: mesmo que a concessão da medida protetiva seja fundamental, o mecanismo não tem sido suficiente para impedir a letalidade do crime.

Acre bateu recorde de feminicídios

Somente no Acre, no ano passado, foram 14 casos de feminicídio, se igualando a marca histórica de 2016 e 2018. Os números também colocam o estado com altos índices em relação às outras unidades da federação. Aqui, o Acre também fica na posição mais alta: é o estado com a maior taxa de feminicídio do Brasil em 2025.

Enquanto a taxa para o Brasil foi de 1,43, no Acre esse número foi de 3,2, seguido pelo vizinho, Rondônia (2,9), e pelos estados do Mato Grosso (2,7) e Mato Grosso do Sul (2,6). Na outra ponta, ficam: Amazonas (0,9), Ceará (1,0) e São Paulo (1,1).

Em todo o Brasil, em números totais, somente em 2025, 1.568 mulheres foram vítimas de feminicídio, um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior. O Fórum aponta que, desde a tipificação da Lei do Feminicídio, em 2015, mais de 13 mil mulheres foram assassinadas pela condição de ser mulher.

Há um padrão para o autor do crime: companheiro, marido, ex-namorado, filho, pai, ou homem com qualquer relacionamento próximo com a vítima. Ou seja, o feminicídio acontece em um contexto de violência doméstica e familiar, e é quase sempre o resultado de outros abusos sofridos pela vítima, seja psicológico, físico, sexual, moral ou patrimonial.

Esses números não revelam apenas uma falha na rede de proteção, mas algo estrutural no Brasil e no Acre: a cultura do machismo e do patriarcado tem assassinado mulheres todos os dias. Não é preciso que as mulheres “escolham”, melhor seus companheiros, mas sim, que os homens parem de as assassinarem.

Canais de ajuda

A qualquer sinal, peça ajuda.

  • Em caso de emergência ligue no 190, para acionar a Polícia Militar;
  • A Central de Atendimento à Mulher, Ligue 180, é gratuita e funciona 24 horas por dia;
  • A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), fica localizada na Via Chico Mendes, e recebe vítimas de violência doméstica.

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