
No Dia do Jornalista, celebrado nesta terça-feira, 7, o podcast Sem Filtro, do Portal Acre, reuniu três profissionais da comunicação para um bate-papo sobre os bastidores da profissão, os dilemas éticos, os desafios do tempo presente e o amor que ainda move quem escolhe, ou é escolhido, pelo jornalismo.
Apresentado pela jornalista Daigleíne Cavalcante, o episódio teve como convidados o editor-chefe do Portal Acre, Leônidas Badaró, e o repórter do site Contilnet, Everton Damasceno. Em comum, além da profissão, os três compartilharam trajetórias marcadas pela descoberta gradual de que o jornalismo não é apenas um trabalho, mas uma forma de estar no mundo.
Escolha ou chamado
Um dos pontos do bate-papo foi a relação de cada um com a profissão. Para Everton Damasceno, o jornalismo chegou antes mesmo de uma decisão racional.
“Acho que ele me escolheu”, disse o repórter, ao lembrar que foi incentivado pela jornalista Vânia Pinheiro ainda muito jovem, quando demonstrava facilidade com a comunicação.
Badaró também relembrou o início da trajetória, ainda no rádio, em Xapuri, e disse que bastaram poucos segundos diante de um microfone para perceber o que queria fazer da vida.
“Eu acho que, com 30 segundos que eu estava naquele estúdio, eu descobri o que eu queria fazer da vida”, afirmou.

Daigleíne Cavalcante, por sua vez, contou que o reconhecimento de que o jornalismo seria sua profissão veio com o tempo, depois de experiências no rádio, na TV, em assessoria e em agências de notícias.
Profissão com papel social
Para os profissionais, o jornalismo vai além da produção de conteúdo e carrega uma responsabilidade social que se revela, muitas vezes, no contato direto com as pessoas e suas dores.
Damasceno lembrou de uma cobertura sobre uma greve da educação, quando ouviu o relato emocionado de uma professora e percebeu o peso do ofício.
“Naquele momento eu falei assim: cara, agora eu estou me sentindo jornalista. Eu acho que é isso. Eu cumpri um papel social”, disse.
Ética, responsabilidade e limites
O episódio também abordou os desafios atuais da profissão, sobretudo diante da velocidade da informação, da polarização e da pressão constante das redes sociais.
Para Badaró, há uma diferença fundamental entre rapidez e irresponsabilidade.
“Ser rápido é importante. Ser irresponsável é outra coisa”, disse.
Segundo Damasceno, toda informação jornalística precisa estar ancorada em dados, fontes e responsabilidades, especialmente num cenário em que opiniões apressadas e conteúdos sem apuração se misturam com facilidade ao noticiário.

“A gente tem uma arma na mão. E essa arma pode destruir a vida de alguém se ela for usada de forma irresponsável”, afirmou.
Jornalista não é “influencer”
Outro ponto discutido foi a diferença entre jornalismo e produção de conteúdo para redes sociais. Os convidados reconheceram a importância e a legitimidade do trabalho de influenciadores digitais, mas defenderam que as áreas não devem ser confundidas.
Para Damasceno, o jornalista não pode se colocar acima da notícia.
“A notícia nunca pode, ao ser levada por mim, estar atrás da minha imagem. Ela sempre tem que estar à minha frente”, declarou.
Os participantes defenderam que o compromisso central do jornalismo não é fabricar celebridades, mas informar com seriedade.
Liberdade de expressão e pressões
A conversa também tratou das pressões sofridas por jornalistas, seja por figuras públicas ou pelo ambiente político e institucional.

Badaró observou que, em estados pequenos como o Acre, onde todos se conhecem, o jornalista convive com um ambiente ainda mais delicado de pressões e interpretações.
“Eu amo quando alguém me chama de bolsonarista e na semana seguinte eu sou lulista. Isso prova que eu estou dando certo”, disse.








