Rio Branco, 3 de maio de 2026.

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Pesquisadora da UFAC alerta que abertura de estradas sem licença ameaça áreas preservadas da Amazônia no Acre

Estudo chama vias menores de “estradas fantasmas” – Foto gemini

A abertura de novas estradas e ramais sem licenciamento ambiental no Acre tem ampliado o risco de desmatamento e pressionado áreas protegidas da Amazônia. O alerta é da pesquisadora da Universidade Federal do Acre (UFAC), Sonaira Souza Silva, que coordena um estudo sobre a expansão da malha viária no estado.

Matéria especial do jornal Folha de S.Paulo publicada no último dia 20 de abril com base no estudo aponta que milhares de quilômetros de novas vias foram abertos no Acre desde 1990, incluindo trechos construídos em áreas de preservação ambiental, assentamentos e terras públicas.

O dado que mais preocupa os pesquisadores que assinam o estudo é o avanço dentro de unidades de conservação. Segundo o relatório, quase 3 mil quilômetros de estradas foram abertos nessas áreas nas últimas décadas.

Entre os casos mais recentes estão novos ramais identificados na Reserva Extrativista Chico Mendes e na Resex Cazumbá-Iracema. Segundo Sonaira Silva, muitas dessas vias surgem sem planejamento ambiental adequado.

“Quando começamos a ver realmente o avanço dessas estradas menores, dos ramais, foi realmente surpreendente”, afirmou a pesquisadora.

Ela explica que essas vias menores, chamadas de “estradas fantasmas”, muitas vezes começam de forma irregular e acabam sendo ampliadas posteriormente com a atuação do poder público, sem estudos de impacto ambiental e social.

“São conexões terrestres sem você pensar realmente no planejamento, sem ter os estudos de impacto ambiental e social da região”, alertou.

O estudo identificou que 2025 já aparece entre os anos com maior abertura de novas estradas no Acre, com 1.165 quilômetros de vias abertas. Os maiores índices, no entanto, foram registrados em 2019 e 2020.

Além do avanço sobre a floresta, pesquisadores como Cecília Leal, integrante da Rede Amazônia Sustentável, vinculada à Universidade de Lancaster, na Inglaterra, também alertam para impactos em rios e igarapés da Amazônia, já que muitas dessas estradas bloqueiam cursos d’água e alteram ecossistemas inteiros.

O Governo do Acre informou à Folha que a abertura de vias atende demandas históricas de integração regional e acesso a serviços públicos em áreas isoladas. Já o ICMBio afirmou que monitora os impactos nas unidades de conservação.

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