Rio Branco, 12 de maio de 2026.

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Medo da violência reorganiza rotina dos brasileiros e terá impacto nas eleições, diz Datafolha

Estudo foi divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública – Foto cedida

O medo da violência se tornou parte da rotina dos brasileiros. Um estudo divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) em parceria com o Instituto Datafolha revela que 96,2% da população brasileira com mais de 16 anos têm medo de ao menos uma situação relacionada ao crime e à violência.

Mais do que estatísticas criminais, a pesquisa aponta para um “clima social persistente” de insegurança, capaz de alterar hábitos cotidianos, restringir circulação, mudar comportamentos e influenciar diretamente o debate político e eleitoral de 2026.

O levantamento mostra que os maiores medos do brasileiro atualmente são sofrer golpes pela internet ou celular (83,2%), ser roubado à mão armada (82,3%) e morrer durante um assalto (80,7%).

O dado chama atenção porque revela uma mudança importante no perfil da insegurança: o medo do crime digital já supera até mesmo o temor de homicídios e assaltos tradicionais.

A pesquisa também mostra que o receio não nasce apenas da experiência direta da violência, mas do ambiente social criado em torno dela — impulsionado pela circulação constante de vídeos, relatos e imagens de crimes nas redes sociais e aplicativos de mensagens.

Outro ponto destacado pelo relatório é a percepção crescente da presença do crime organizado no cotidiano da população. Segundo o estudo, 41,2% dos brasileiros afirmam reconhecer a atuação de facções criminosas ou milícias nos bairros onde vivem.

A pesquisa também revela profundas desigualdades sociais e de gênero na forma como o medo é vivido no Brasil. Mulheres relatam medo mais intenso e abrangente, envolvendo violência sexual, agressões dentro de casa e restrições à circulação noturna.  Já entre as classes mais pobres, cresce o temor relacionado à violência física, bala perdida, assaltos e invasão de residências.

Para os pesquisadores, o medo deixou de ser apenas uma reação à violência para se transformar em um elemento que organiza a vida social e molda a relação da população com o Estado. O relatório afirma ainda que a segurança pública deverá ocupar posição central nas eleições de 2026 e influenciar diretamente as escolhas do eleitorado brasileiro.

Realizada em 137 municípios brasileiros entre os dias 9 e 10 de março deste ano, a pesquisa ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais.

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