
Durante sessão da Câmara Municipal de Rio Branco nesta quarta-feira, 13, o vereador André Kamai (PT) defendeu que o debate sobre o ataque ocorrido no Instituto São José vá além do reforço na segurança escolar e inclua uma reflexão sobre o papel da sociedade, das famílias e do ambiente digital na formação de crianças e adolescentes.
Ao iniciar o pronunciamento, o parlamentar lamentou a morte das duas servidoras da escola, vítimas do ataque cometido por um adolescente de 13 anos dentro da unidade de ensino na última semana.
Kamai afirmou que as funcionárias dedicavam suas vidas ao cuidado de crianças e destacou que a atuação delas pode ter evitado uma tragédia ainda maior.
“Talvez a entrega das suas vidas tenha evitado uma tragédia ainda maior, de ter tirado a vida de outras crianças”, declarou.
Durante a fala, o vereador afirmou que tem acompanhado as discussões sobre novos protocolos de segurança adotados pelo poder público e pelas instituições de ensino, mas disse ter preocupação com a centralização do debate apenas em medidas de força.
“As medidas de segurança são fundamentais. Nós precisamos de um ambiente escolar mais seguro. Mas não podemos deixar de olhar para essa geração que está se formando dentro de uma sociedade que produziu um jovem de 13 anos capaz de uma violência tão brutal”, afirmou.
Segundo Kamai, o adolescente envolvido no caso não pode ser analisado de forma isolada, mas dentro de um contexto social mais amplo.
“Aquele jovem não surgiu do nada. Ele é fruto das relações sociais que estamos construindo”, disse.
O vereador também ressaltou que não busca relativizar o crime nem retirar a responsabilidade do adolescente, classificando-o como responsável pelos atos cometidos.
“Ele é um criminoso e deve estar submetido às leis”, afirmou.
Ao longo do pronunciamento, André Kamai fez críticas ao que chamou de “cultura da violência” e disse que crianças e adolescentes vivem hoje uma realidade marcada pela hiperconexão digital e pelo afastamento das relações sociais presenciais e familiares.
“Nós estamos formando uma geração absolutamente conectada no celular, na internet, e profundamente desconectada da vida social e das suas famílias”, comentou.
O parlamentar afirmou que, em gerações anteriores, a formação social dos jovens passava pela convivência entre família, escola, religião e comunidade, enquanto hoje parte desse processo foi transferido para o ambiente virtual.
“A rua virou isso aqui”, disse, ao se referir ao celular. “Isso aqui não tem fronteira, não tem limite.”
Kamai também apontou o desgaste enfrentado por pais e mães diante de jornadas exaustivas de trabalho, o que, segundo ele, reduz o tempo de convivência familiar e acompanhamento emocional dos filhos.
“Tem pais que não conseguem identificar os problemas emocionais que os filhos vivem”, afirmou.
Ao final, o vereador defendeu que as ações de segurança sejam acompanhadas de medidas voltadas ao fortalecimento das relações entre escola, família e comunidade.
“Nós precisamos atacar as questões de segurança, que são urgentes. Mas também precisamos reconectar escola, família e comunidade no processo de formação dessas crianças”, declarou.
Kamai ainda alertou para o risco de transformar escolas em ambientes excessivamente militarizados sem discutir as causas sociais da violência.
“Se fizermos apenas isso, vamos transformar as escolas em cadeias”, concluiu.








