
A Polícia Civil do Acre (PCAC) alcançou, nos últimos dias, um importante resultado no combate à impunidade ao prender três homens acusados de homicídios praticados nas décadas de 1990 e que estavam há anos foragidos da Justiça acreana. As capturas ocorreram em operações distintas conduzidas pela Delegacia-Geral de Acrelândia e pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), com apoio de forças de segurança de outros estados e uso de tecnologia de identificação biométrica.
Em uma das ações, investigadores da Delegacia de Acrelândia localizaram e prenderam dois homens acusados de homicídios qualificados cometidos no município e que, juntos, somavam mais de 60 anos de fuga. As prisões ocorreram nos estados de Rondônia e Paraná após um trabalho de inteligência que reconectou pistas antigas e rastreou os paradeiros dos investigados.
O primeiro capturado foi Antonio Apolinario, acusado de matar Jorge Gomes Martins em agosto de 1993, no Ramal do Granada, km 20. Segundo as investigações, o crime teria sido motivado por uma discussão envolvendo a compra de uma saca de arroz. Após o desentendimento, o acusado teria se escondido atrás da casa da vítima e efetuado um disparo através das frestas da parede de madeira enquanto Jorge descansava. Antonio fugiu logo após ser ouvido pela polícia ainda em 1993 e permaneceu desaparecido por 32 anos, até ser localizado em Candeias do Jamari, em Rondônia, em uma ação conjunta entre a PCAC e a Polícia Civil de Rondônia.
Já Joaquim Manoel da Silva foi preso no município de Toledo, no Paraná. Ele é acusado de assassinar Francisco Pereira Alves em novembro de 1996, também no Ramal do Granada. A investigação apontou motivação passional: inconformado com o fim do relacionamento e o novo companheiro da ex-esposa, Joaquim teria se aproximado do casal durante meses para conquistar confiança antes de executar a vítima com um tiro na nuca dentro da residência.

Em outra frente de atuação, a DHPP prendeu F.G.S., de 48 anos, conhecido pelos apelidos “Moído” e “Marquinhos”, acusado de matar o adolescente Toni Guedes da Silva, de 15 anos, em abril de 1998, no bairro Preventório, em Rio Branco. O crime foi cometido com golpes de faca e o suspeito permaneceu foragido por quase três décadas.
A prisão ocorreu após um pente-fino realizado no Banco Nacional de Mandados de Prisão. Durante as investigações, policiais identificaram inconsistências na documentação de um suposto irmão do acusado, cuja existência só aparecia em registros a partir do ano 2000. A suspeita levou a um trabalho conjunto com o Instituto de Identificação do Acre e a Força Nacional, que utilizaram cruzamento de biometria facial e impressões digitais no sistema ABIS para comprovar que o suposto irmão e o homicida eram a mesma pessoa.
Com a fraude descoberta, a polícia identificou que o foragido levava uma vida aparentemente normal como comerciante no município de Capixaba, utilizando documentos falsos. Após monitoramento estratégico, ele foi capturado ao retornar à cidade depois de uma viagem a Rio Branco.
Para a delegada Jade Dene, responsável pela Delegacia-Geral de Acrelândia, as prisões demonstram que o tempo não apaga a responsabilidade pelos crimes. Segundo ela, o trabalho persistente dos investigadores e a integração entre forças policiais foram fundamentais para garantir uma resposta às famílias das vítimas e combater a sensação de impunidade. “A impunidade não tem prazo de validade em Acrelândia”, enfatizou.
Os três presos permanecem à disposição da Justiça para cumprimento das determinações judiciais e deverão responder pelos crimes atribuídos a eles, além de outras possíveis infrações identificadas durante as investigações.
Com informações da Assessoria de Comunicação da Polícia Civil do Acre.








