Rio Branco, 27 de maio de 2026.

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Mesmo com queda dos homicídios, Atlas da Violência aponta desafios entre jovens e populações vulneráveis no Acre

Apesar da redução, indicadores ligados à juventude no Acre preocupam – Foto shutterstock

Apesar da forte redução dos homicídios registrada nos últimos anos, o Acre ainda enfrenta desafios importantes relacionados à violência contra jovens e populações historicamente vulneráveis. Os dados são do Atlas da Violência 2026, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), que aponta que a queda da violência letal no estado não eliminou situações persistentes de vulnerabilidade social e exposição à violência.

O levantamento mostra que o Acre liderou a redução proporcional dos homicídios no Brasil entre 2019 e 2024, com queda de 47,9% na taxa geral de mortes violentas. Ainda assim, alguns indicadores ligados à juventude, à infância e a grupos socialmente vulneráveis continuam chamando atenção no estado.

Entre os dados mais preocupantes está a violência contra adolescentes. Segundo o Atlas, o Acre registrou taxa de 27,5 homicídios por 100 mil adolescentes de 15 a 19 anos em 2024. Embora o índice represente forte redução em relação ao auge da crise da violência no estado — quando a taxa chegou a 120,4 em 2017 —, o número ainda permanece elevado.

A trajetória recente mostra queda expressiva da violência letal contra adolescentes no Acre. Entre 2019 e 2024, a redução foi de 54,8%, acompanhando a tendência de diminuição dos homicídios no estado.

No grupo de jovens entre 15 e 29 anos, o Acre registrou taxa de 37,6 homicídios por 100 mil habitantes em 2024. O índice segue acima de estados do Sul e Sudeste e reforça o peso da violência letal sobre a juventude acreana, fenômeno que o Atlas aponta como uma das principais marcas da violência no Brasil.

Outro indicador que chama atenção no estado é o suicídio entre jovens de 10 a 19 anos. O Acre registrou taxa de 6,2 suicídios por 100 mil habitantes nessa faixa etária em 2024, quase o dobro da média nacional, que ficou em 3,4.

O dado coloca o estado entre os mais preocupantes do país nesse indicador e reforça alertas relacionados à saúde mental, isolamento social, vulnerabilidade emocional e dificuldades de acesso à assistência psicológica, especialmente em regiões mais afastadas da Amazônia.

O Atlas também aponta crescimento recente da violência letal contra crianças no Acre. Entre 2023 e 2024, a taxa de homicídios de crianças de 5 a 14 anos aumentou 116,7% no estado, passando de 0,6 para 1,3 por 100 mil habitantes.

Embora os números absolutos sejam menores em comparação com outras faixas etárias, o relatório ressalta que a violência contra crianças e adolescentes revela situações de vulnerabilidade social, exposição ao crime e fragilidade das redes de proteção.

No recorte da violência contra mulheres, o Acre apresentou melhora significativa. A taxa de homicídios femininos caiu 62,7% entre 2019 e 2024, passando de 7,5 para 2,8 mortes por 100 mil mulheres. O estado também reduziu fortemente os homicídios de mulheres negras, cuja taxa caiu de 7,4 para 3,0 no mesmo período.

Apesar disso, o Atlas alerta que a violência contra grupos vulneráveis vai além dos homicídios e envolve agressões físicas, violência doméstica, violência sexual, negligência e exclusão social. O documento dedica capítulos específicos à violência contra indígenas, idosos, pessoas com deficiência e população LGBTQIAPN+, destacando a invisibilidade e a subnotificação desses casos no Brasil.

Segundo os pesquisadores, a realidade amazônica agrava parte dessas vulnerabilidades devido ao isolamento geográfico, à dificuldade de acesso aos serviços públicos e à expansão do crime organizado para áreas de fronteira e municípios do interior.

O relatório conclui que, embora o Acre tenha avançado na redução dos homicídios nos últimos anos, os dados revelam que crianças, jovens e populações historicamente invisibilizadas continuam expostos a formas persistentes de violência e vulnerabilidade social, exigindo políticas públicas mais amplas de proteção, prevenção e assistência.

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