
As mortes associadas a sinistros no transporte terrestre voltaram a crescer no Acre e acompanham a tendência de agravamento observada nas regiões Norte e Nordeste do país, segundo o Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Os dados mostram que o Acre registrou 137 óbitos ligados a acidentes de transporte terrestre em 2024, o maior número desde 2020 e um salto de 44,2% em relação a 2023, quando haviam sido contabilizadas 95 mortes.
A série histórica revela que o estado vinha alternando períodos de queda e estabilidade ao longo da última década, mas voltou a registrar crescimento expressivo recentemente. Em 2014, o Acre contabilizou 138 mortes associadas a sinistros no transporte terrestre. O número caiu para 115 em 2015, subiu para 122 em 2016, voltou a 115 em 2017 e recuou para 94 em 2018. A partir de então, os dados oscilaram entre 112 mortes em 2019, 109 em 2020, 92 em 2021, 101 em 2022 e 95 em 2023, até alcançar os atuais 137 óbitos em 2024.
O crescimento recente também aparece na taxa de mortalidade por 100 mil habitantes. Segundo a Tabela 12.2 do Atlas, o Acre passou de 11,1 mortes por 100 mil habitantes em 2023 para 15,9 em 2024, um aumento de 43,2% em apenas um ano.
Ao longo da série histórica, a taxa acreana apresentou comportamento irregular, mas voltou a subir nos últimos anos. O estado registrava 17,3 mortes por 100 mil habitantes em 2014. O índice caiu para 14,2 em 2015, subiu para 14,9 em 2016 e recuou gradualmente até atingir 11,3 em 2018. Depois disso, os números oscilaram entre 13,4 em 2019, 12,9 em 2020, 10,8 em 2021, 11,9 em 2022 e 11,1 em 2023, chegando a 15,9 em 2024.
O Atlas aponta que o crescimento das mortes no trânsito no Brasil está diretamente ligado à expansão acelerada do uso de motocicletas, especialmente entre populações de menor renda e trabalhadores ligados aos aplicativos de entrega e transporte.
Segundo os pesquisadores, os estados do Norte e Nordeste foram os que mais sentiram os efeitos desse processo desde a retomada econômica pós-pandemia, em razão da expansão do uso de motos, da precariedade da infraestrutura viária, das dificuldades de fiscalização e da baixa capacidade de investimento em segurança no trânsito.
No Acre, as motocicletas se consolidaram como principal meio de transporte em muitos municípios, especialmente nas periferias urbanas e áreas rurais, onde o transporte coletivo é limitado e os deslocamentos dependem quase exclusivamente de veículos individuais.
O relatório destaca ainda que os jovens adultos, principalmente homens, concentram a maior parte das vítimas fatais no trânsito brasileiro.








