Rio Branco, 27 de maio de 2026.

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Homicídios com arma de fogo caem 54% no Acre após pico da guerra entre facções

Redução de mais de 53% em crimes com arma de fogo no Acre foi uma das maiores do país – Foto Joédson Alves/Agência Brasil

Os homicídios cometidos com arma de fogo continuam concentrando a maior parte da violência letal no Acre, apesar da forte redução registrada nos últimos anos. Os dados do Atlas da Violência 2026 mostram que o estado saiu de um dos cenários mais críticos do país durante o auge da guerra entre facções criminosas para um quadro de retração significativa da violência armada.

Segundo o levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), a taxa de homicídios por arma de fogo no Acre caiu de 26,5 mortes por 100 mil habitantes em 2019 para 12,1 em 2024. A redução foi de 54,3% no período — uma das maiores do Brasil.

O recuo também aparece nos números absolutos. Em 2019, o Acre registrava mais de duas centenas de homicídios cometidos por arma de fogo em meio à crise da violência ligada às facções criminosas. Em 2024, esse número caiu para 104 casos no estado, uma redução de 53,2%.

O Atlas aponta que a escalada da violência armada no Acre ocorreu principalmente a partir de 2016, quando o estado passou a registrar rápida expansão dos homicídios associados às disputas entre grupos criminosos e ao fortalecimento das rotas do narcotráfico na Amazônia.

A taxa de homicídios cometidos com arma de fogo saltou: de 14,3 por 100 mil habitantes em 2015 para 27,6 em 2016; atingindo o pico histórico de 46,5 em 2017.

Naquele momento, o Acre figurava entre os estados mais violentos do país no uso de armas de fogo em crimes letais. O índice ficou muito acima da média nacional registrada no mesmo ano, que foi de 24 homicídios por arma de fogo por 100 mil habitantes.

Após o pico de 2017, os indicadores começaram a desacelerar: 37,4 em 2018; 26,5 em 2019; 27 em 2020; 13,9 em 2021; chegando a 12,1 em 2024. Somente entre 2023 e 2024, a queda da taxa de homicídios por arma de fogo no Acre foi de 24,4%, uma das mais expressivas do país.

Mesmo com a melhora, o Atlas alerta que as armas de fogo seguem como principal instrumento da violência letal no Brasil, especialmente em estados amazônicos e regiões de fronteira afetadas pela atuação do crime organizado.

O relatório destaca ainda que as organizações criminosas ampliaram sua presença econômica e territorial nos últimos anos, diversificando atividades ilegais e fortalecendo mercados ligados ao tráfico de armas e munições.

No caso do Acre, os pesquisadores associam a dinâmica da violência armada à posição estratégica do estado na rota amazônica do tráfico internacional de drogas e à interiorização das facções criminosas para municípios menores e áreas de fronteira.

Apesar da redução recente, os dados mostram que o Acre ainda registrou, em 2024, taxa de homicídios por arma de fogo superior à de estados como São Paulo (4,2), Distrito Federal (4,2) e Santa Catarina, que permanecem entre os menores índices do país nesse indicador.

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