Rio Branco, 29 de maio de 2026.

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Acre reduz desmatamento em 43,6%, mas segue entre os estados com mais alertas da Amazônia aponta, MapBiomas

O Acre registrou uma das maiores reduções proporcionais do desmatamento em todo o Brasil em 2025, segundo o Relatório Anual do Desmatamento (RAD 2025), divulgado pelo MapBiomas na última quarta-feira, 27. A área desmatada no estado caiu 43,6% em relação ao ano anterior, colocando o Acre entre os cinco estados com melhor desempenho ambiental do país no período.

Apesar do resultado positivo, o relatório mostra que o estado continua entre os principais focos de atenção da Amazônia. Mesmo com a queda expressiva da área desmatada, o Acre aparece entre os cinco estados brasileiros com maior número de alertas de desmatamento registrados em 2025, ao lado de Pará, Bahia, Ceará e Amazonas. Juntos, esses estados concentraram mais de 55% de todos os alertas detectados no país.

O contraste indica uma mudança no perfil do desmatamento acreano. A derrubada da floresta perdeu intensidade em área total, mas continua ocorrendo de forma dispersa, em milhares de eventos menores espalhados pelo território.

Os números do MapBiomas mostram que a redução registrada pelo Acre foi uma das mais expressivas do Brasil. Apenas Rio Grande do Sul (-72,6%), Alagoas (-68,4%), Sergipe (-62,9%) e Goiás (-43,7%) apresentaram quedas proporcionais maiores que a acreana. O resultado também ficou muito acima da média nacional, que foi de 20,6% de redução do desmatamento em 2025.

Feijó e Tarauacá entre os municípios mais desmatados do país

Feijó e Tarauacá estão entre os 50 municípios que mais perderam vegetação, aponta estudo – Foto cedida

Embora o Acre não tenha municípios entre os maiores desmatadores do Brasil em 2025, dois municípios acreanos continuam aparecendo entre os 50 que mais perderam vegetação nativa desde o início da série histórica do MapBiomas, em 2019.

Feijó ocupa a 40ª posição nacional. O município registrou 4.478 hectares desmatados em 2025, uma redução de 51,7% em relação aos 9.268 hectares registrados em 2024. Ainda assim, manteve média de 12,3 hectares desmatados por dia ao longo do ano.

Os dados históricos mostram a dimensão da pressão sofrida pelo município nos últimos anos: foram 8.820 hectares desmatados em 2019, 8.783 em 2020, 13.506 em 2021, 17.422 em 2022, 6.475 em 2023, 9.268 em 2024 e 4.478 em 2025.

Tarauacá aparece na 48ª posição nacional. O município registrou 3.933 hectares desmatados em 2025, redução de 19,1% em relação ao ano anterior. A média diária foi de 10,8 hectares de vegetação nativa suprimida.

Desde 2019, Tarauacá acumulou sucessivos registros elevados de desmatamento: 5.558 hectares em 2019, 4.904 em 2020, 8.359 em 2021, 10.548 em 2022, 4.211 em 2023, 4.861 em 2024 e 3.933 hectares em 2025.

Os dois municípios integram a lista federal de municípios prioritários para ações de prevenção, monitoramento e controle do desmatamento na Amazônia, estabelecida pelo Ministério do Meio Ambiente.

Amacro mantém trajetória de queda

O relatório também traz resultados positivos para a região da Amacro, considerada uma das principais fronteiras recentes de expansão do desmatamento na Amazônia e formada por áreas do Acre, Amazonas e Rondônia.

Pelo terceiro ano consecutivo, a região registrou redução da área desmatada. Entre 2024 e 2025, a queda foi de 25%, totalizando 68.062 hectares desmatados e 3.429 alertas validados no período.

A informação tem peso especial para o Acre, já que parte significativa da área estadual está inserida nessa região que há poucos anos passou a ser apontada por pesquisadores e órgãos ambientais como uma das novas fronteiras do desmatamento amazônico.

Duas Resex acreanas entre as mais desmatadas do Brasil

Se por um lado os números estaduais mostram avanço, por outro o relatório mantém o alerta sobre áreas protegidas do Acre. Duas unidades de conservação acreanas figuram entre as 50 que mais perderam vegetação nativa em todo o país em 2025.

A Reserva Extrativista Chico Mendes aparece na 11ª posição nacional, com 370 alertas de desmatamento e perda de 861 hectares de floresta nativa.

Já a Reserva Extrativista do Alto Juruá ocupa a 23ª posição, com 145 alertas e 288 hectares desmatados ao longo do ano.

A presença das duas reservas no ranking demonstra que, apesar da redução geral do desmatamento no estado, a pressão sobre áreas protegidas continua sendo um dos principais desafios para a conservação da floresta acreana.

Cenário revela avanço, mas longe do fim do problema

O retrato apresentado pelo RAD 2025 coloca o Acre em uma situação diferente daquela observada em boa parte da última década. O estado já não figura entre os líderes nacionais em área desmatada e registra uma das maiores reduções proporcionais do país.

Ao mesmo tempo, a permanência de Feijó e Tarauacá entre os municípios historicamente mais pressionados, a continuidade da Amacro como região estratégica para o monitoramento ambiental e a presença de duas reservas extrativistas acreanas entre as mais desmatadas do Brasil mostram que a queda dos índices ainda não significa o fim da pressão sobre a floresta.

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