
Uma operação integrada entre a Polícia Civil do Acre (PCAC) e o Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) resultou, na manhã desta terça-feira, 2, na prisão de 19 pessoas ligadas à organização criminosa Bonde dos Treze (B13). A ação faz parte da Operação Convergência Nacional, que teve como objetivo desarticular a estrutura operacional, financeira e logística da organização criminosa.
Ao todo, foram expedidos 42 mandados judiciais, sendo 21 de prisão preventiva e 21 de busca e apreensão. Os mandados foram cumpridos em Rio Branco, Epitaciolândia e Brasiléia, além das cidades de Fortaleza (CE) e Florianópolis (SC).
As investigações foram conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), a partir da análise de aparelhos celulares apreendidos anteriormente com lideranças da facção.
Durante coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira, 2, na sede do MPAC, as autoridades ligadas à operação descreveram os detalhes. De acordo com o coordenador do Gaeco, promotor de Justiça Antônio Alceste, a investigação identificou integrantes da organização criminosa em diferentes funções dentro da estrutura do grupo.
“O Ministério Público fez uma investigação através do Gaeco e, a partir dela, foi possível identificar pessoas vinculadas ao Bonde dos Treze. Foram representados mandados de prisão e busca e apreensão que foram cumpridos na data de hoje. Tivemos 19 prisões, duas prisões em flagrante, apreensão de dinheiro e drogas. Acreditamos que foi um duro golpe na criminalidade organizada”, afirmou.
Segundo o coordenador adjunto do Gaeco, Júlio César Medeiros, os investigados exerciam funções estratégicas dentro da facção, incluindo liderança, arrecadação financeira, logística do tráfico de drogas e extorsão.
“Cada um dos integrantes identificados possui uma função bem delineada dentro da organização criminosa. Entre eles, há pessoas responsáveis pela arrecadação financeira, extorsão de comerciantes, apoio logístico ao tráfico de drogas e também integrantes que ocupavam cargos de liderança. Um dos alvos exercia a função de conselheiro da organização, uma das posições mais altas da estrutura criminosa”, explicou.
Ainda segundo o promotor, parte dos investigados já se encontrava presa, mas continuava atuando dentro da facção.
“A maioria dessas pessoas já possui condenações pelo mesmo tipo de crime e continuava exercendo influência dentro da organização criminosa, inclusive de dentro do sistema prisional”, destacou Antônio Alceste.
O delegado Gustavo Neves, da Draco, informou que aproximadamente 100 agentes participaram da operação, incluindo policiais civis do Acre, Ceará e Santa Catarina, além de policiais penais.
“Hoje realizamos uma operação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público. Conseguimos efetuar 19 prisões. Todos os alvos possuem papel relevante dentro da organização criminosa. Além das drogas apreendidas, também recolhemos materiais táticos, como capas de coletes balísticos. Entendemos que as prisões de hoje contribuem para desestruturar parte da organização criminosa”, disse.
Das 19 prisões realizadas, 18 ocorreram em Rio Branco e uma em Epitaciolândia. Nos estados de Santa Catarina e Ceará foram cumpridos apenas mandados de busca e apreensão. O delegado Alcino Júnior ressaltou que operações dessa natureza impactam diretamente outros crimes associados à atuação das facções.
“Uma operação dessa magnitude não combate apenas o crime organizado. Ela reflete diretamente no enfrentamento aos homicídios, ao tráfico de drogas, às torturas e aos chamados crimes disciplinares praticados por organizações criminosas. Todos esses reflexos são alcançados com uma ação como essa”, afirmou.
As autoridades destacaram ainda que os celulares e demais materiais recolhidos durante a operação passarão por perícia e poderão subsidiar novas investigações.
“Cada aparelho apreendido será analisado. As informações extraídas vão fundamentar novos relatórios investigativos e poderão resultar em futuras operações. Esse trabalho de inteligência é permanente”, explicou Júlio César Medeiros.






