Rio Branco, 5 de junho de 2026.

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Campeão do Qualicafé denuncia ataque com veneno em lavoura premiada de café especial em Xapuri

Sebastião com a esposa em parte da plantação de café atingida por veneno jogado por drone – Foto acervo pessoal

O agricultor José Sebastião de Oliveira, vencedor da 3ª edição do Concurso de Qualidade do Café Robusta Amazônico do Acre (Qualicafé), promovido pelo Governo do Estado em 2025, denunciou recentemente ter sido vítima de um ataque contra sua lavoura de café especial em Xapuri. Segundo ele, parte da plantação foi atingida por veneno lançado por um drone durante a noite do último dia 27 de abril.

O caso está sendo investigado pela Polícia Civil. O delegado Lucas Vianna confirmou a abertura de um inquérito para apurar as circunstâncias do episódio e identificar os possíveis responsáveis e a motivação do crime.

José Sebastião relatou ao Portal Acre que percebeu algo estranho por volta das 21h30 daquela noite. Segundo ele, uma sensação de inquietação o levou a sair de casa e caminhar em direção à área cultivada, quando avistou um drone sobrevoando a propriedade.

“Quando fui chegando perto da lavoura, vi o drone do outro lado do igarapé. Chamei minha esposa e ainda tentei me aproximar, mas ele já estava saindo. No outro dia sentimos o cheiro do veneno e, dois ou três dias depois, as plantas começaram a morrer”, contou.

Produção rural registrou um Boletim de Ocorrência e a polícia civil vai investigar o caso – Foto acervo pessoal

O produtor afirma que o dano atingiu apenas uma parte da lavoura, mas considera o episódio uma tentativa deliberada de prejudicar o trabalho desenvolvido pela família.

“Foi uma coisa feita para sabotar mesmo. Graças a Deus eu tive aquela intuição e consegui perceber o que estava acontecendo. Agora estamos aguardando que a Justiça faça o seu trabalho”, disse.

A área afetada faz parte de uma propriedade que se tornou referência na produção de café especial no Acre. Foi dali que saiu o lote vencedor do Qualicafé em 2025, resultado de anos de investimento em técnicas de cultivo e manejo voltadas para a produção de grãos de alta qualidade.

Apesar do susto, família está em processo de conclusão da colheita da safra deste ano – Foto acervo pessoal

Segundo José Sebastião, além do prejuízo imediato, existe uma preocupação com o tempo necessário para recuperar plantas que levam anos para atingir seu potencial produtivo.

“O café especial exige muito cuidado. A gente trabalha pensando no longo prazo. São plantas que podem produzir por mais de vinte anos quando bem cuidadas”, destacou.

O agricultor diz não ter ideia de quem possa ser responsável pelo ato, mas afirmou que a área onde a família vive e produz é alvo de disputas. A propriedade de 16 hectares, na área do antigo seringal Boa vista, possui sentença favorável de usucapião, mas ainda existem questionamentos judiciais em andamento.

Trabalho segue apesar do susto

Apesar do episódio, a rotina na propriedade continua voltada para a produção. A família está concluindo a colheita da safra 2026, cuja expectativa é alcançar cerca de 200 sacas de café.

A esposa do produtor, Hilda Soares, afirma que a decisão foi seguir em frente e concentrar as energias no trabalho que transformou uma área antes improdutiva em uma das referências da cafeicultura acreana.

“Foi um momento muito difícil para nós, mas não podemos parar. Nossa vida está aqui. A gente continua trabalhando todos os dias, cuidando da lavoura e acreditando que as coisas vão dar certo”, disse.

Segundo ela, a safra deste ano apresenta excelente qualidade e reforça a confiança da família no futuro da atividade.

“Estamos terminando uma colheita muito boa, com grãos de qualidade. O café tem aberto portas para nossa família e para muitos produtores da região. É nisso que queremos focar.”

Hilda também destaca a expectativa para um momento especial marcado para o próximo dia 27 de junho, quando ela e o marido participarão de uma homenagem em Cruzeiro do Sul em celebração ao Dia Nacional do Café.

Expectativa é que mais uma vez seja feita a colheita de um café de qualidade na propriedade – Foto acervo pessoal

“Será uma alegria muito grande. Nós nunca fomos a Cruzeiro do Sul e estamos ansiosos para conhecer a cidade e participar dessa homenagem. É um reconhecimento ao trabalho que realizamos com muito esforço e dedicação.”

Para a família, o convite representa mais do que uma premiação. É a confirmação de que o trabalho desenvolvido na propriedade continua produzindo resultados e inspirando outros agricultores. Enquanto aguarda o andamento das investigações, José Sebastião prefere manter o olhar voltado para a próxima safra.

“Já estamos terminando a colheita e preparando a lavoura para produzir novamente. O nosso pensamento é continuar trabalhando, produzindo e levando o nome de Xapuri cada vez mais longe através do café”, concluiu.

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