
A suspensão temporária da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, anunciada pelo Ministério da Saúde nesta segunda-feira (8), não afeta a imunização de adolescentes no Acre. A informação foi reforçada pela Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), por meio da Agência de Notícias do Acre, esclareceendo que a vacina aplicada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em jovens de 10 a 14 anos continua sendo ofertada normalmente em todo o estado.
A medida adotada pelo governo federal tem caráter preventivo e se refere exclusivamente à vacina Butantan-DV, utilizada em uma estratégia específica voltada a trabalhadores da saúde. No Acre, o imunizante também estava destinado apenas a esse público.
Segundo a Sesacre, não há registros de eventos adversos graves relacionados à vacina do Butantan no estado. Ainda assim, em alinhamento às orientações do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a aplicação foi temporariamente interrompida até a conclusão das investigações conduzidas em nível nacional.
A decisão foi tomada após a identificação de eventos raros que passaram a ser analisados pelos sistemas nacionais de vigilância em saúde. De acordo com o Ministério da Saúde, a suspensão integra os protocolos de farmacovigilância que acompanham continuamente a segurança dos imunizantes após o início de sua utilização pela população.
“O objetivo é permitir que o Ministério da Saúde, a Anvisa e o Instituto Butantan aprofundem as análises dos casos para os quais ainda não há informações suficientes capazes de estabelecer uma relação de causalidade com a vacina”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Vacina aplicada em adolescentes não foi suspensa
A coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI) no Acre, Renata Quiles, destacou que a população não deve confundir os dois imunizantes.
“A vacina aplicada aos adolescentes no Acre é a Qdenga, do laboratório Takeda, e não possui qualquer relação com a suspensão anunciada pelo Ministério da Saúde. Não há registros de eventos adversos que justifiquem alterações na estratégia de vacinação desse público, por isso a recomendação é que pais e responsáveis mantenham a imunização dos adolescentes dentro dos prazos estabelecidos”, explicou.
A Qdenga segue recomendada pelo Ministério da Saúde e continua disponível nas unidades de saúde para adolescentes de 10 a 14 anos, faixa etária definida pelo Programa Nacional de Imunizações para a vacinação contra a dengue.
Segundo Renata, a interrupção temporária da vacina do Butantan demonstra justamente o rigor dos mecanismos de monitoramento adotados pelas autoridades sanitárias.
“Em todo processo de implantação de uma vacina, os sinais de segurança são monitorados criteriosamente para identificar possíveis eventos adversos na população. Nesta situação, suspender temporariamente a aplicação da vacina no país é uma medida preventiva até que as investigações sejam concluídas”, afirmou.
Quem já tomou a vacina do Butantan continua protegido
O Ministério da Saúde ressaltou que a suspensão não significa perda de eficácia do imunizante nem altera as evidências de proteção observadas até o momento. Pessoas que já receberam a vacina Butantan-DV permanecem protegidas e não precisam repetir doses.
A orientação é apenas que os vacinados observem, nas semanas seguintes à aplicação, sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, sonolência excessiva, sinais de desidratação ou piora do estado geral. Em caso de qualquer manifestação, a recomendação é procurar uma unidade de saúde.
Saúde reforça importância da vacinação e prevenção
A Sesacre também destacou que todas as demais vacinas do Calendário Nacional de Vacinação continuam sendo ofertadas normalmente no estado e reforçou a importância da imunização como ferramenta fundamental para prevenir doenças.
No caso da dengue, além da vacinação dos adolescentes, a Secretaria de Saúde recomenda que a população mantenha as medidas de combate ao mosquito Aedes aegypti, eliminando recipientes que acumulem água parada, mantendo caixas d’água devidamente fechadas e colaborando com o trabalho dos agentes de endemias.
A orientação aos pais e responsáveis é procurar a unidade de saúde mais próxima para verificar a situação vacinal dos adolescentes e garantir a proteção contra a doença, cuja circulação continua preocupando autoridades de saúde em diversas regiões do país.







