
As Obras Sociais da Diocese de Rio Branco realizaram uma coletiva de imprensa nesta terça-feira, 23, para detalhar a situação financeira do Hospital Santa Juliana e da Casa de Acolhida Souza Araújo, após a divulgação de uma nota pública em que alertam para atrasos em repasses do governo do Estado destinados à manutenção dos serviços prestados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Durante a coletiva, representantes da Diocese afirmaram que os débitos acumulados ultrapassam R$ 20 milhões e comprometem o funcionamento das instituições. O administrador das Obras Sociais da Diocese, Marcos Paulo, explicou que o hospital segue atendendo normalmente, mas enfrenta dificuldades para adquirir insumos necessários para procedimentos de alta complexidade.
“Até o momento, nenhum serviço está paralisado. A dificuldade que nós estamos tendo hoje é a aquisição dos insumos necessários para fazer as cirurgias cardíacas. Estamos trabalhando de uma forma precária”, afirmou.
Segundo o administrador, a cobrança formal foi protocolada junto à Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) no último dia 18 de junho. No documento, as Obras Sociais solicitam a regularização de valores pendentes referentes aos convênios nº 001/2021 e nº 002/2023, apontando um passivo financeiro de R$ 20.614.959,79.
O bispo da Diocese de Rio Branco, Dom Joaquín Pertínez, afirmou que os atrasos não são recentes e vêm se acumulando ao longo dos últimos anos.
“Chegou a um limite que não temos mais viabilidade para continuar nossos serviços. Não se trata de hoje. Se trata de muitos meses e vários anos que vêm acumulando dívidas”, declarou.
Dom Joaquín também destacou a situação da Casa de Acolhida Souza Araújo, que atende pacientes acometidos pela hanseníase e depende quase exclusivamente dos recursos do convênio estadual.
“A casa não deixou de atender ninguém. Mas hoje o hospital já não tem condições de socorrer financeiramente a Casa de Acolhida como fazia anteriormente”, disse.
Ainda durante a coletiva, o administrador da Cúria Diocesana, padre Macoy, afirmou que a instituição busca apenas o cumprimento dos contratos firmados com o Estado.
“Nunca pedimos privilégios ou favores. Só estamos cobrando aquilo que realmente está no contrato assinado por ambas as partes”, ressaltou.
Posição da Sesacre
Em nota divulgada nesta segunda-feira, 22, a Sesacre afirmou que os valores mencionados pela Diocese envolvem processos administrativos de naturezas distintas e que parte deles ainda está em tramitação regular.
Segundo a secretaria, somente em 2026 o Hospital Santa Juliana já recebeu R$ 50.010.029,14 em repasses realizados pelo governo do Estado, incluindo os pagamentos referentes aos meses de março e abril.
A pasta informou ainda que a competência de maio de 2026, no valor de R$ 10.338.980,25, encontra-se em fase de análise pelo gestor e pelo fiscal do convênio, etapa necessária para conferência da produção apresentada e posterior liquidação da despesa.
Durante a coletiva, Marcos Paulo contestou o posicionamento da secretaria. Segundo o administrador, mesmo desconsiderando os valores referentes ao mês de maio, ainda restariam aproximadamente R$ 13 milhões em pendências.
“O convênio prevê datas para pagamento. Cabe ao hospital entregar a documentação. A análise e a liberação dos recursos são responsabilidades do Estado”, afirmou.
A Sesacre também destacou que o Convênio nº 001/2021 permanece vigente e que novos instrumentos de repasse foram formalizados para contemplar recursos do Piso Nacional da Enfermagem e do programa federal Agora Tem Especialistas.
Representantes da Diocese informaram que mantêm diálogo com o governo do Estado e que uma reunião com integrantes da Sesacre foi agendada para a tarde desta terça-feira, 23, às 16h, com o objetivo de discutir alternativas para regularizar os pagamentos pendentes.
Apesar das dificuldades relatadas, a Diocese afirma que tanto o Hospital Santa Juliana quanto a Casa de Acolhida Souza Araújo seguem funcionando e atendendo a população acreana.








