Rio Branco, 27 de junho de 2026.

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Quem muito se abaixa mostra os fundos, já dizia o ditado…

Charge Nuno

Os antigos tinham um talento raro para resumir grandes verdades em poucas palavras. Algumas frases eram poéticas, outras dramáticas. E havia aquelas que não faziam qualquer esforço para soar delicadas: eram curtas, grossas e certeiras. É o caso de um dos meus ditados populares favoritos: “Quem muito se abaixa mostra os fundos.”

À primeira vista, a frase provoca risadas. Mas, por trás do humor, existe uma lição valiosa.

Na vida, humildade é virtude. Servir, colaborar e respeitar o próximo são qualidades admiráveis. O problema começa quando confundimos humildade com submissão, gentileza com falta de limites e disponibilidade com obrigação.

Quem vive tentando agradar a todos acaba, muitas vezes, perdendo o respeito de alguns. Há pessoas que interpretam sua educação como fraqueza, sua paciência como permissão e sua boa vontade como algo de que podem abusar.

Ter limites não é arrogância. Saber dizer “não” quando necessário não é egoísmo. Manter a própria dignidade não significa deixar de ser gentil; significa apenas reconhecer o próprio valor.

O velho ditado, apesar da irreverência, nos lembra que devemos nos curvar apenas diante daquilo que realmente merece nosso respeito. Afinal, quem passa a vida inteira se abaixando para todos dificilmente conseguirá permanecer de cabeça erguida.

Humildade engrandece. Submissão excessiva diminui. E há uma enorme diferença entre as duas.

Saber se posicionar diante de determinadas situações não significa sair por aí brigando com todo mundo, responder com grosseria ou transformar qualquer conversa em um debate presidencial. Significa apenas reconhecer o próprio valor e estabelecer limites.

Quem respeita a si mesmo não precisa elevar a voz, mas também não aceita ser constantemente diminuído, explorado ou desrespeitado. Posicionamento, caro leitor, não é falta de educação. É maturidade. É conseguir dizer, com tranquilidade:

— Disso eu discordo.

— Assim eu não aceito.

— Esse limite não pode ser ultrapassado.

Existe uma elegância enorme em quem sabe ser firme sem ser grosseiro.

Aliás, pessoas que respeitam limites costumam ser muito mais respeitadas do que aquelas que vivem cedendo. A verdade é simples: gentileza nunca deveria exigir humilhação como pagamento.

Ser compreensivo não significa ser conivente. Ser pacífico não significa ser omisso. Ser educado não significa aceitar qualquer coisa.

Então, da próxima vez que sentir vontade de se diminuir para caber nas expectativas dos outros, lembre-se do velho ditado. Às vezes, o problema não é abaixar para ajudar alguém. O problema é permanecer curvado enquanto todos passam por cima de você.

No fim das contas, coluna ereta faz bem para a postura… e para a autoestima também.

Lane Valle é jornalista, fonoaudióloga e colaboradora do Portal Acre.

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