
O mais recente boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), indica uma mudança importante no perfil dos vírus respiratórios em circulação no Acre. Embora o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal responsável pelas internações de crianças pequenas, ainda mantenha níveis elevados no estado, ele já apresenta sinais de interrupção do crescimento. Ao mesmo tempo, a Influenza A continua avançando e impulsionando o aumento das hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).
A mudança ocorre em um momento em que o Brasil começa a registrar estabilização dos casos de SRAG. No Acre, entretanto, a Fiocruz destaca que as internações por Influenza A seguem aumentando, colocando o estado, ao lado de Roraima, entre os poucos do país onde esse comportamento ainda é observado.
Segundo o boletim, os casos de SRAG provocados pelo VSR continuam elevados no Acre, mas já apresentam sinais de estabilização ou queda, diferentemente da Influenza A, cuja circulação mantém tendência de crescimento. Essa alteração sugere uma transição no padrão dos vírus respiratórios predominantes no estado, característica comum dos meses de maior circulação de doenças respiratórias, mas que exige atenção dos serviços de saúde.
O InfoGripe também mostra que, em âmbito nacional, a Influenza passou a ser a principal causa de hospitalizações por SRAG entre jovens, adultos e idosos. Já entre crianças de até quatro anos, o VSR continua sendo o vírus predominante, responsável pela maior parte das internações nessa faixa etária.
Outro dado que reforça a preocupação é o impacto da Influenza A entre a população idosa. De acordo com a Fiocruz, esse vírus responde pela maior parte dos óbitos relacionados à SRAG entre pessoas com 65 anos ou mais, evidenciando a necessidade de ampliar a proteção dos grupos mais vulneráveis.
Nas quatro últimas semanas epidemiológicas analisadas, o VSR respondeu por 53,1% dos casos positivos para vírus respiratórios no país, seguido pelo Rinovírus (23,9%), Influenza A (16,4%), Influenza B (7,9%) e Covid-19 (2%). Apesar de representar uma parcela menor das infecções em relação ao VSR, a Influenza A vem assumindo maior relevância clínica por estar associada ao aumento das hospitalizações em estados como o Acre.
O boletim também mantém o Acre entre os estados classificados em nível de alerta, risco ou alto risco para incidência de SRAG nas últimas duas semanas epidemiológicas, indicando que a circulação dos vírus respiratórios permanece intensa. A Fiocruz recomenda que o monitoramento seja acompanhado de indicadores como ocupação de leitos e vigilância laboratorial para orientar as ações de saúde pública.
Diante desse cenário, especialistas reforçam a importância da vacinação contra a gripe, especialmente entre idosos, crianças, gestantes, pessoas com comorbidades e demais integrantes dos grupos prioritários. A imunização continua sendo a principal estratégia para reduzir o risco de hospitalizações e de formas graves da doença durante o período de maior circulação dos vírus respiratórios.








