Rio Branco, 2 de julho de 2026.

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EXCLUSIVO: Estrutura restante da ponte Frei Paolino, em Sena, pode desabar  a qualquer momento; TCE recomenda que a Defesa Civil amplie monitoramento e isolamento

Documento obtido pelo Portal Acre recomenda ampliação da área interditada e monitoramento permanente – Foto Henrique Nery

O Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) encaminhou à Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil um ofício com recomendações para reforçar as medidas de segurança na Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira. O documento, obtido pelo Portal Acre, solicita a adoção imediata de ações preventivas de monitoramento da estrutura remanescente e a ampliação da área de isolamento no entorno da ponte.

O ofício foi elaborado após a visita técnica realizada no último dia 30 de junho por uma equipe composta por representantes de diferentes instituições, entre elas a Universidade Federal do Acre. A inspeção avaliou as condições da parte da ponte que permaneceu de pé após o colapso da estrutura.

Entre as principais recomendações feitas pelo Tribunal está a implantação imediata de monitoramento visual e topográfico permanente da ponte. A medida deverá abranger pilares, blocos de fundação, estacas expostas, tabuleiro, aterros de acesso e margens do rio, com o objetivo de identificar rapidamente qualquer alteração que possa indicar comprometimento da estabilidade da estrutura.

O TCE também defende que a área interditada seja ampliada. Segundo o documento, o isolamento não deve ficar restrito ao trecho que desabou, mas alcançar também o tabuleiro remanescente, os acessos, as margens próximas aos apoios, a área sob a ponte e o leito do rio nas proximidades. A justificativa é o risco de novos colapsos, queda de elementos estruturais, movimentação do solo, erosão nas fundações e instabilidade das margens.

Inspeção técnica foi realizada na última terça-feira, 30 de junho – Foto Henrique Nery

Outra medida sugerida é o reforço da sinalização de risco. O ofício recomenda a instalação de placas de advertência com mensagens como “Perigo – Risco de Colapso”, “Área Interditada”, “Entrada Proibida” e “Risco de Morte”, nos acessos à ponte, margens do rio, trilhas e demais locais que possam permitir a aproximação de pessoas ou embarcações.

O documento detalha ainda que o monitoramento visual deverá ser feito diariamente, por meio de registros fotográficos padronizados, acompanhados de informações sobre data, horário, nível do rio e eventuais sinais de deterioração, como fissuras, trincas, deslocamentos, abatimentos e processos erosivos. Paralelamente, o acompanhamento topográfico deverá verificar possíveis recalques, rotações e deslocamentos da estrutura.

Segundo o Tribunal, qualquer alteração identificada, mesmo que considerada pequena, deverá ser tratada como indicativo de agravamento do risco, exigindo a ampliação imediata da área de isolamento, reforço da sinalização e comunicação às equipes técnicas responsáveis para adoção das providências necessárias.

O ofício é assinado pela presidente do TCE-AC, conselheira Dulcinéa Benício, e pelo vice-presidente, conselheiro Ronald Polanco Ribeiro, e foi encaminhado ao coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Carlos Batista da Costa.

Defesa Civil diz que vai atender recomendações

Procurado pelo Portal Acre, o coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Carlos Batista, confirmou que o órgão já recebeu o ofício encaminhado pelo Tribunal de Contas e informou que as recomendações estão sendo colocadas em prática.

Segundo o coronel, uma das principais medidas solicitadas pelo TCE-AC é a ampliação da área de isolamento no entorno da Ponte Frei Paolino Baldassari. Ele explicou que a interdição havia sido realizada até o nível do rio, mas a redução da lâmina d’água tornou necessária a extensão da área isolada para manter a segurança no local.

“Nós recebemos esse documento hoje e estamos tomando as providências junto com os órgãos competentes. O que foi solicitado foi o aumento do isolamento da área da ponte, porque o isolamento tinha sido feito até o nível do rio. Como o nível do rio baixou, precisamos ampliar novamente esse isolamento. Estamos realizando esse trabalho em conjunto com o Deracre e a empresa responsável”, afirmou.

Carlos Batista também destacou que outra recomendação do Tribunal trata do reforço da sinalização de risco na região. De acordo com ele, os encaminhamentos já foram feitos aos setores competentes para a adoção das medidas necessárias.

“Outra questão é a melhoria da sinalização no rio e nos acessos. Já encaminhei todos os documentos para quem de direito tomar as providências. Vamos aumentar a sinalização até a beira do rio, justamente na área que ficou exposta após a baixa do nível das águas, além de reforçar a sinalização existente”, acrescentou o coordenador da Defesa Civil.

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