
Depois de passar os primeiros meses de 2026 como o estado brasileiro com o menor número de focos de queimadas, o Acre começa a apresentar os primeiros sinais da consolidação da temporada do fogo. Dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), mostram que o estado registrou 13 focos nas últimas 24 horas, o maior avanço diário do ano até o momento.
Embora o acumulado anual ainda permaneça em patamar bastante inferior ao registrado em 2025, a mudança no comportamento das ocorrências coincide com o início do período de estiagem e reforça previsões feitas ainda em maio por especialistas que monitoram a dinâmica das queimadas na Amazônia.
Nos oito primeiros dias de julho, o Acre soma 23 focos de queimadas. Desde 1º de janeiro até 8 de julho, foram registrados 64 focos, número 38% menor que os 104 contabilizados no mesmo intervalo do ano passado.
Outro dado que chamou atenção foi o desempenho do município de Feijó, que apareceu entre os dez municípios brasileiros com maior número de focos nas últimas 24 horas. Sozinho, o município registrou sete ocorrências, figurando no ranking nacional elaborado pelo INPE.
Apesar do crescimento ainda ser considerado discreto diante do histórico estadual, ele representa uma mudança importante em relação aos meses anteriores, quando o Acre vinha mantendo números excepcionalmente baixos e frequentemente inferiores aos registrados em 2025.
A tendência já havia sido antecipada pela coordenadora do projeto Acre Queimadas e pesquisadora do Campus Floresta da Universidade Federal do Acre (Ufac), em Cruzeiro do Sul, Sonaira Silva. Em entrevista concedida em maio, ela avaliou que os baixos índices observados no início do ano eram consequência do prolongamento do período chuvoso sobre o estado.
“Eu acredito que esse ano teremos bastante queimadas porque no ano passado não queimaram muito devido às chuvas. O verão vai iniciar atrasado, mas deve se estender até novembro”, previu naquela ocasião.
Historicamente, agosto e setembro concentram os maiores registros de focos de queimadas no Acre. Caso o período seco realmente avance até novembro, como prevê a pesquisadora, a floresta poderá permanecer mais tempo exposta às condições favoráveis aos incêndios.
Mesmo com a alta registrada nos últimos dias, o Acre ainda mantém um desempenho historicamente positivo em relação às queimadas. Em 2025, o estado encerrou o ano com 2.184 focos, o menor total desde 2001, quando foram contabilizadas 829 ocorrências pelo INPE. O resultado colocou o Acre entre os melhores desempenhos de toda a série histórica iniciada em 1998.
O contraste com os anos mais críticos é expressivo. Em 2005, por exemplo, o estado registrou 15.993 focos de queimadas, recorde histórico do INPE. Naquele ano, o Acre enfrentou o maior incêndio florestal de sua história, com aproximadamente 30 mil hectares de vegetação destruídos dentro da Reserva Extrativista Chico Mendes, episódio que marcou a política ambiental acreana e evidenciou os efeitos da combinação entre estiagem severa, desmatamento e uso irregular do fogo.








