
Hoje, a escrita desta colunista é diferente. Você não encontrará aqui um texto bem-humorado ou uma crítica social. Esta carta aberta tem como destinatário uma única Autoridade: Aquele que é soberano sobre os céus e a terra.
Não escrevo para denunciar problemas, defender pontos de vista ou reivindicar soluções diante de uma grande audiência. Escrevo para testemunhar. Escrevo para agradecer.
Esta é uma carta de gratidão pelo livramento que Deus concedeu à minha filha há poucos dias.
Quem acompanha esta coluna sabe que minha primogênita, Maria Clara, foi morar com o pai neste ano para estudar. Foi em busca do sonho de cursar Medicina, um sonho que, nos últimos vestibulares, bateu na trave, mas nunca deixou de ser perseguido. E, quando os filhos crescem, cabe a nós, pais, apoiá-los em seus sonhos, mesmo que isso signifique vê-los partir. Foi assim que ela seguiu para Brasília.
Todos os dias, no retorno do cursinho para casa, é preciso percorrer um trecho de estrada. Os estudantes costumam organizar um transporte compartilhado, dividindo as despesas da viagem.
Em uma dessas tardes, de última hora — justamente como costumamos dizer quando os livramentos acontecem —, Maria Clara decidiu não voltar no carro em que sempre ia. Escolheu pegar carona com outro colega do cursinho.
No dia seguinte, veio a notícia.
O carro em que ela deveria estar sofreu um grave acidente na estrada. O motorista ficou seriamente ferido, mas, pela graça de Deus, sobreviveu.
Ao saber do ocorrido, meu coração foi tomado por um sentimento impossível de descrever. Só quem já experimentou um milagre vindo das mãos de Deus consegue compreender essa mistura de temor, alívio, gratidão e reverência.
Não temos capacidade para entender os mistérios divinos. Não se trata de Deus livrar uns e punir outros. Seus caminhos são mais altos que os nossos, e seus propósitos ultrapassam nossa compreensão.
Mas quem já viveu o sobrenatural sabe reconhecer o cuidado de Deus nos detalhes. Cada oração, cada momento de comunhão, cada lágrima derramada diante d’Ele jamais é ignorada. Deus responde. Deus cuida. Deus ama.
Hoje, só tenho a agradecer pelo cuidado constante com minha filha, que está tão longe de casa.
Ela não teve coragem de me contar o que havia acontecido. Foi o pai dela quem me telefonou, uma semana depois, para relatar o livramento que nossa filha havia recebido.
Enquanto ele falava, sua voz foi desaparecendo entre as batidas aceleradas do meu coração. Tudo ao meu redor pareceu perder o foco. Minha mente começou a percorrer caminhos que nenhuma mãe gostaria de imaginar: e se ela tivesse entrado naquele carro? E se estivesse sentada do lado do impacto? E se…
Mas Deus já havia preparado meu coração antes mesmo daquela ligação.
Naquela manhã, acordei diferente. Sentia uma saudade profunda da presença de Deus. Saudade da comunhão com minha igreja, da qual eu estava afastada havia alguns domingos por causa dos plantões.
Naquele mesmo dia, nas primeiras horas, recebi uma mensagem do meu querido pastor, Milvane:
“Saudades. Venha para o meu aniversário hoje na igreja. Chame sua família. Que saudades.”
Hoje entendo que Deus já estava me chamando para perto antes mesmo de eu saber o motivo pelo qual precisaria tanto abraçá-Lo em gratidão.
Deus fala conosco todos os dias. Nem sempre em sinais extraordinários. Muitas vezes, por meio de pessoas, de convites, de uma Palavra, de um abraço ou de um simples “estou com saudades”.
Se permitirmos ouvir Sua voz, Ele nos revela, continuamente, o tamanho do Seu amor e do Seu cuidado por nós e por aqueles que colocamos diante d’Ele em oração.
A Bíblia nos diz:
“Crê no Senhor Jesus, e serás salvo, tu e a tua casa.” (Atos 16:31)
Hoje, esta não é apenas uma promessa que leio nas Escrituras. É uma promessa que experimento.
Obrigada, Deus.
Obrigada pelo Teu cuidado invisível aos nossos olhos, mas evidente ao nosso coração.
Obrigada porque, mais uma vez, a Tua misericórdia alcançou quem Tu me deste para amar.
Toda honra e toda glória sejam dadas a Ti.
Lane Valle é jornalista, fonoaudióloga e colunista do Portal Acre.







