Rio Branco, 11 de setembro de 2026.

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Rio Branco amplia coleta de esgoto, mas apenas um em cada quatro moradores tem acesso ao serviço

Apesar dos investimentos recentes, indicador de saneamento na capital acreana ainda é muito abaixo do recomendável – Foto cedida

A capital acreana registrou avanço na cobertura da rede de coleta de esgoto nos últimos quatro anos, mas o serviço ainda atende apenas um em cada quatro moradores da capital acreana. Os dados fazem parte do estudo “Avanços do Marco Legal do Saneamento Básico no Brasil – 2026”, divulgado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados, que analisa a evolução dos indicadores de saneamento nas 27 capitais brasileiras entre 2020 e 2024.

Segundo o levantamento, a cobertura da rede coletora de esgoto em Rio Branco passou de 21,29% da população em 2020 para 25,07% em 2024, um crescimento de 3,78 pontos percentuais no período. Apesar da evolução, cerca de três em cada quatro moradores da capital ainda vivem sem acesso ao serviço, um dos principais indicadores de qualidade do saneamento básico.

O percentual mantém Rio Branco entre as capitais com menor cobertura de coleta de esgoto do Brasil. Entre as cidades analisadas, apenas Macapá apresenta índice inferior. A capital acreana também está distante das cidades que já alcançaram ou superaram a meta de universalização prevista pelo Marco Legal do Saneamento, como Curitiba, Goiânia, Belo Horizonte, São Paulo, Brasília e Campo Grande, todas com índices superiores a 90%.

A comparação também evidencia que o ritmo de expansão em Rio Branco foi inferior ao observado em outras capitais brasileiras. Enquanto a capital acreana ampliou a cobertura em 3,78 pontos percentuais desde 2020, cidades como Aracaju avançaram 24,33 pontos, Cuiabá 20,55 e Teresina 19,72 pontos percentuais no mesmo período.

Procurado pela reportagem, o diretor-presidente do Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb), Enoque Pereira Lima, afirma que os indicadores apresentados pelo estudo retratam um período de transição da gestão do saneamento na capital e não refletem integralmente os investimentos realizados desde que os serviços retornaram à administração municipal, em 2022.

Segundo ele, quando o sistema foi assumido pelo município, apenas 2,5% do esgoto produzido recebia tratamento, já que somente uma das três Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) convencionais estava em operação e ainda com cerca de 15% da capacidade.

O gestor afirma que esse índice chegou a 17% em 2025 e que a meta do Saerb é atingir 52% até julho de 2027. Com a entrada em funcionamento das ETEs da Redenção e da Cidade do Povo, construídas pelo Governo do Estado, a expectativa é elevar esse percentual para 68%.

É importante ressaltar que os percentuais apresentados pelo Saerb referem-se ao volume de esgoto tratado, enquanto o levantamento do Instituto Trata Brasil utiliza o indicador de cobertura da rede de coleta de esgoto. Os dados utilizados pelo estudo têm como base o Sistema Nacional de Informações de Saneamento — SINISA de 2024.

Meta ainda distante

O Marco Legal do Saneamento estabelece que, até 2033, 90% da população brasileira deve ser atendida por rede de coleta de esgoto, além de 99% de cobertura no abastecimento de água. O estudo mostra que, em 2024, apenas duas unidades da Federação — São Paulo e Distrito Federal — já atingiram a meta de coleta de esgoto, evidenciando que a universalização ainda representa um desafio para grande parte do país.

Na avaliação dos pesquisadores, embora os primeiros anos de vigência do Marco Legal tenham proporcionado avanços institucionais e regulatórios, a ampliação da cobertura depende da continuidade dos investimentos em infraestrutura, obras de expansão das redes e fortalecimento da capacidade de execução dos projetos. Como se trata de um setor que exige intervenções de grande porte e longo prazo, os resultados tendem a aparecer de forma gradual.

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