
A qualidade do ar no Acre apresenta uma piora significativa nesta segunda-feira (20), marcando um dos primeiros sinais do agravamento das condições ambientais com o avanço da estação seca. É o que indica a previsão divulgada pelo Sistema de Informações Ambientais Integrado à Saúde Ambiental (Sisam), do Ministério da Saúde, que aponta aumento expressivo da concentração de material particulado fino (PM2,5) em praticamente todos os municípios acreanos.
A média prevista para o estado salta de 5,58 microgramas por metro cúbico (µg/m³) no domingo (19) para 15,76 µg/m³ nesta segunda, um aumento de aproximadamente 182% em apenas 24 horas.
O PM2,5 é formado por partículas extremamente pequenas, capazes de penetrar profundamente nos pulmões e alcançar a corrente sanguínea. A exposição prolongada está associada ao agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares, especialmente entre crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas.
Os maiores índices previstos concentram-se na regional do Juruá. Marechal Thaumaturgo aparece com a maior concentração estimada, de 27,84 µg/m³, seguido por Jordão (22,92), Porto Walter (20,90), Santa Rosa do Purus (20,81), Manoel Urbano (19,91), Cruzeiro do Sul (19,66) e Rodrigues Alves (19,58).
Na capital, Rio Branco, a concentração prevista sobe de 5,50 para 12,67 µg/m³, enquanto em Xapuri o índice passa de 5,75 para 12,18 µg/m³, praticamente dobrando em relação ao dia anterior.
Embora parte dos municípios permaneça abaixo dos episódios críticos registrados durante o auge das queimadas em anos anteriores, diversos deles já ultrapassam ou se aproximam do valor-guia diário de 15 µg/m³ recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), indicando que o estado começa a entrar no período de maior deterioração da qualidade do ar.
Tendência acompanha avanço da seca
A previsão do Sisam reforça o cenário esperado para as próximas semanas, quando a redução das chuvas, a baixa umidade e o aumento das queimadas costumam elevar significativamente a concentração de fumaça na atmosfera.
Nas últimas semanas, a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) já havia alertado para o monitoramento contínuo da qualidade do ar e para a necessidade de cuidados preventivos, principalmente entre pessoas mais vulneráveis aos efeitos da poluição atmosférica.
A recomendação é que, em dias com pior qualidade do ar, a população evite atividades físicas intensas ao ar livre nos horários mais quentes, mantenha boa hidratação e procure atendimento médico caso surjam sintomas como falta de ar, tosse persistente ou agravamento de doenças respiratórias.






