Rio Branco, 30 de julho de 2026.

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Ambiente digital impulsiona golpes e registros de violência sexual contra crianças no Acre

Acre teve creascimento de casos envolvendo material de abauxo sexual infantil – Foto reprodução

O Acre vive uma rápida migração da criminalidade para o ambiente virtual, com avanços nítidos tanto em crimes patrimoniais quanto em violações contra vulneráveis. De acordo com os dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na última semana, embora o estado apresente taxas inferiores à média nacional em algumas modalidades, o crescimento percentual de ocorrências digitais específicas é alarmante, destacando-se a explosão de casos envolvendo material de abuso sexual infantil.

O indicador mais crítico refere-se à produção, posse ou distribuição de material de abuso sexual infantil (CSAM). Na faixa etária de 10 a 13 anos, os registros no Acre saltaram de apenas uma ocorrência em 2024 para oito em 2025, o que representa uma variação de 699%. Se considerado todo o grupo de 0 a 17 anos, o aumento foi de 205,7%, saltando de 4 para 12 casos em doze meses. Segundo a análise do Anuário, esse fenômeno está diretamente ligado à condição “onlife”, na qual a socialização de crianças e adolescentes ocorre de forma permanente em ambientes digitais, facilitando o aliciamento e a circulação de conteúdos ilícitos.

Avanço dos golpes eletrônicos

No campo dos crimes contra o patrimônio, o estelionato por meio eletrônico consolidou sua tendência de alta no estado. O número de registros subiu de 473 em 2024 para 605 em 2025, uma elevação de 27,4%. Embora a taxa acreana de 68,4 por 100 mil habitantes ainda seja significativamente menor que a média brasileira (246,2), o ritmo de crescimento local indica que as organizações criminosas estão aprimorando suas táticas de fraude digital no estado, operando muitas vezes com estruturas que replicam a lógica gerencial de empresas legítimas.

Novas tipificações e desafios

Pela primeira vez, o relatório traz dados sobre a intimidação sistemática virtual (cyberbullying), após a entrada em vigor da Lei nº 14.811/2024. No Acre, foram registrados casos pontuais em 2025 (um registro na faixa de 10 a 13 anos e outro entre 14 e 17 anos), números que os analistas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública consideram apenas a “ponta do iceberg” de um processo de assimilação do novo tipo penal.

Os especialistas alertam que o enfrentamento dessa nova face do crime exige que o Estado vá além da lógica tático-operacional tradicional. No Acre, o desafio passa pela modernização das capacidades investigativas especializadas em rastreio tecnológico e financeiro, além da implementação de políticas de educação digital que ajudem a romper a naturalização da exposição de crianças e adolescentes nas redes sociais.

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