Rio Branco, 20 de setembro de 2026.

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Casamento coletivo oficializa união de 235 casais durante edição do Projeto Cidadão no Acre

A programação contou com a participação de representantes do Judiciário e do Governo do Estado – Foto Lucas Dourado

Em uma cerimônia marcada por histórias de companheirismo e pela garantia de direitos, cerca de 235 casais oficializaram a união durante mais uma edição do casamento coletivo promovido pelo Projeto Cidadão, iniciativa do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC). A programação contou com a participação de representantes do Judiciário e do Governo do Estado e integrou as ações realizadas pelo programa, que completa 30 anos de existência.

Responsável pela celebração, a juíza Luana Campos destacou que o casamento coletivo representa uma das ações de cidadania desenvolvidas dentro do projeto. Segundo a magistrada, a cerimônia reúne tanto pessoas que já compartilham uma vida há anos quanto casais que estão começando uma nova trajetória juntos.

“A gente fica muito feliz. Nós temos 30 anos de Projeto Cidadão e um dos atos de cidadania é esse momento, que é o casamento. Eu, como celebrante, fico muito feliz de fazer parte desse momento da vida dos noivos. Alguns já vivem juntos, outros estão iniciando uma vida”, afirmou.

Durante a cerimônia, Luana também falou aos noivos sobre os compromissos e desafios envolvidos na construção de uma vida a dois. Para ela, além da celebração, o momento permite levar uma mensagem de incentivo aos participantes.

“Para mim é sempre uma felicidade trazer uma palavra para eles, de incentivo, e mostrar que o casamento também tem dificuldades e gera compromissos. Fico muito feliz de estar celebrando esse momento na vida deles”, acrescentou.

Cerimônia também reforça combate à violência contra a mulher

Além das orientações relacionadas à vida conjugal, a celebração abriu espaço para a conscientização sobre a violência contra a mulher. Luana Campos lembrou que, em 2026, a Lei nº 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha, completa 20 anos.

Segundo a juíza, reunir centenas de casais também representa uma oportunidade de reforçar a importância de relações baseadas no respeito e contribuir para o enfrentamento à violência doméstica.

“Nós estamos fazendo 20 anos da Lei 11.340, que é a Lei Maria da Penha, e temos que conscientizar. É uma oportunidade de conscientizar os noivos sobre a violência contra a mulher, para que a gente consiga diminuir os índices no nosso estado e também no Brasil todo”, declarou.

A magistrada também explicou que o casamento coletivo é realizado anualmente. De acordo com ela, normalmente o processo de organização e entrega da documentação começa em julho, enquanto a celebração ocorre em agosto.

“Quem quiser casar no Projeto Cidadão, no casamento coletivo, é só se preparar que, se Deus quiser, estaremos aqui”, convidou.

Projeto soma milhares de casamentos e atendimentos

Laudivon destacou que a união de instituições públicas garante serviços essenciais a quem mais precisa – Foto Lucas Dourado

O presidente do Tribunal de Justiça do Acre, desembargador Laudivon Nogueira, destacou a trajetória do Projeto Cidadão e os números acumulados ao longo dos anos.

De acordo com o desembargador, desde 2005 foram realizados aproximadamente 22,4 mil casamentos por meio da iniciativa. Ele também informou que o projeto já contabiliza cerca de 82 mil atendimentos à população.

Para Laudivon, os resultados são fruto da atuação conjunta entre diferentes instituições públicas e demonstram o alcance de serviços voltados principalmente às pessoas que mais necessitam da presença do poder público.

“Isso mostra que essa união entre as instituições, Poder Executivo, Governo do Estado com o Poder Judiciário, tem levado a verdadeira cidadania a todas as pessoas que buscam os serviços do Estado”, destacou.

O presidente do TJAC ressaltou ainda o caráter permanente da iniciativa. Segundo ele, após três décadas de atuação, o Projeto Cidadão continuará percorrendo os municípios acreanos e oferecendo serviços à população.

“Nós já realizamos 82 mil atendimentos. Isso é um número expressivo, significa que pessoas, aquelas que mais precisam, estão sendo atendidas e que o Estado está presente, o Judiciário está presente. Somos muito felizes com esse projeto, que já tem 30 anos de existência”, afirmou.

Aos 66 e 72 anos, João e Mirtes se casam após três meses de relacionamento

Entre as histórias que chamaram a atenção durante a cerimônia está a de João Rodrigues, de 66 anos, e Mirtes Araújo, de 72 anos. Apesar de estarem entre os participantes mais velhos da celebração, os dois formam um dos relacionamentos mais recentes: estão juntos há apenas três meses.

Mirtes definiu o período vivido ao lado do companheiro como “um excelente noivado”. Após três meses juntos, eles decidiram aproveitar o casamento coletivo para oficializar a relação.

João Rodrigues contou que ficou surpreso com a estrutura da cerimônia e emocionado com a possibilidade de formalizar gratuitamente a união.

“Foi uma emoção muito boa. Não esperava que era isso, não. Ficou muito bom. Agora é planejar o futuro junto dessa esposa linda e maravilhosa”, declarou.

Mirtes também demonstrou entusiasmo com a nova etapa. Aos 72 anos, ela resumiu a decisão do casal lembrando que novos planos podem ser construídos independentemente da idade.

“Cuidar do futuro, né? A gente está na idade, mas nunca é tarde para ter o futuro”, afirmou.

Questionado sobre qual conselho daria aos mais jovens, João ressaltou a responsabilidade envolvida na decisão de compartilhar uma vida a dois.

“O casamento é uma coisa muito séria. Quando dois se unem, é um negócio muito sério”, disse João, ao defender que a decisão seja tomada com responsabilidade e compromisso.

Mailza destaca parceria entre Estado e Judiciário

Mailza ressaltou que a união exige uma construção diária e envolve não apenas os momentos de felicidade, mas também os desafios enfrentados ao longo da convivência – Foto Lucas Dourado

Presente na programação, a governadora Mailza Assis parabenizou o Tribunal de Justiça pela realização de mais uma edição do Projeto Cidadão e destacou o papel do casamento coletivo na garantia de direitos e segurança jurídica aos participantes.

Ao falar diretamente aos recém-casados, Mailza ressaltou que a união exige uma construção diária e envolve não apenas os momentos de felicidade, mas também os desafios enfrentados ao longo da convivência.

“Essa aliança precisa ser renovada todos os dias. A família é uma base, uma instituição que se forma para o crescimento da família. É um ato de decisão, mas também é um ato de renúncia, de dividir as alegrias e dificuldades”, declarou.

A governadora também desejou sabedoria aos casais e defendeu a construção dos lares com diálogo, amor e respeito.

“As dificuldades passarão, momentos difíceis terão, mas o casamento precisa ser construído, a família precisa ser formada e nesse lar precisa reinar amor, paz e muita sabedoria”, acrescentou.

Mailza também destacou a parceria entre o Governo do Acre e o Poder Judiciário na realização das ações do Projeto Cidadão. Segundo ela, a Secretaria de Assistência Social participa da iniciativa oferecendo serviços e contribuindo para ampliar o atendimento à população.

“É um programa, um trabalho excepcional que chega a cada cantinho do nosso estado. O Tribunal de Justiça faz isso com muito zelo, tanto com o Projeto Cidadão e todos os serviços oferecidos quanto com o casamento coletivo”, afirmou.

Para a governadora, a integração entre as instituições permite ampliar o acesso a direitos e alcançar principalmente as parcelas da população que mais dependem dos serviços públicos.

“São instituições que se relacionam para transformar a vida das pessoas, para fazer o bem, principalmente àqueles que mais precisam”, concluiu.

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